Canto
GENEALOGIA Da ilha Terceira. O ramo principal dos Cantos açorianos descende dos de Guimarães através de Pedro Anes do Canto, filho de João Anes do Canto, feitor de D. Diogo Pinheiro, bispo do Funchal, e de sua mulher Francisca da Silva, que é dada como filha de João Bravo da Silva. Este Pedro Anes do Canto passou à ilha Terceira no princípio do século XVI, segundo alguns autores na companhia de um seu parente chamado Vasco Afonso, que era vigário do Machico (ilha da Madeira) e visitador das ilhas dos Açores. O genealogista Alão de Moraes aventa a hipótese de que este vigário Vasco Afonso pudesse ter sido avô paterno do genearca Pedro Anes do Canto que
veio a ser seu herdeiro universal. Em 1509, residindo já na Terceira, foi socorrer a praça de Arzila com um navio equipado por ele e homens de armas pagos do seu bolso. Prestou relevantes serviços a D. João III, que lhe confiou, por carta régia de 27.7.1532, o cargo de provedor das armadas e fortificações da ilha Terceira, cargo que desempenhou com acerto e energia. Figura de inquestionável relevo no seu tempo, foi moço fidalgo da Casa Real, tendo recebido, a 28.1.1539, Carta de Brasão de Armas de Cantos, com um acrescentamento honroso no brasão dos seus antecessores. Excelente
administrador, adquiriu metodicamente muitas e boas propriedades que vinculou, instituindo três morgados, com obrigação do uso do apelido Canto, para serem administrados pelos filhos. Em 1544 cedeu, por escritura, as suas legítimas paterna e materna a seu irmão António, com obrigação de uma capela de missas a celebrar em Guimarães, por intenção dos pais de ambos. Casou pela primeira vez em Angra, no ano de 1510, com D. Joana Abarca, filha de D. Pedro Abarca e de sua mulher Margarida Álvares Merens, e segunda vez com D. Violante da Silva, filha do cronista
Duarte Galvão e de sua segunda mulher Catarina de Meneses. Deixou várias disposições testamentárias, vindo a falecer a 18.8.1556.
Do primeiro casamento teve António Pires do Canto, nascido a 11.6.1511, em Angra, que casou em 1544, em Lisboa, com D. Catarina de Castro, filha do primeiro capitão e governador de Santa Cruz do Cabo de Gué, D. Francisco de Castro. Esta aliança originou o ramo Canto e Castro que se perpetuaria até á actualidade. António Pires do Canto foi armado cavaleiro em Tânger por D. Duarte de Meneses, teve o foro de moço fidalgo, como o pai, foi cavaleiro professo na Ordem de Cristo e sucedeu no cargo de provedor das armadas por alvará de 26.3.1560. Administrou o primeiro dos morgados instituídos por Pedro Anes do Canto, que rendia mais de 10.000 cruzados anuais, e
mandou edificar a capela de Nossa Senhora dos Remédios. Faleceu em 1572, deixando, pelo menos, cinco filhos.
Do segundo casamento teve João da Silva do Canto, moço fidalgo da Casa Real, cavaleiro professo na Ordem de Cristo e comendador na mesma Ordem por carta régia de 25.2.1551, em reconhecimento de assinalados serviços prestados em Ceuta. João da Silva do Canto pertenceu ao conselho del rei, foi provedor das Armadas e fundou, em 15717 a Misericórdia da vila da Praia, na ilha Terceira. Administrou o segundo dos morgados instituídos por seu pai e casou com Isabel Correia, filha de Jácome Dias Correia e de sua mulher Brites Rodrigues Raposo. Este casal teve uma única filha, D. Violante da Silva do Canto, nascida em 1556, que auxiliou a causa de D. António, prior do Crato, e veio a casar em 1.4.1585, em Lisboa, com Simão de Sousa de Távora, sobrinho do primeiro marquês de Castelo Rodrigo, falecendo sem descendência em 17.11.1599. Por esta razão, os seus bens vieram a ser herdados por um primo, Manuel do Canto de Castro, que reuniu a casa mais importante dos Açores.
Pedro Anes do Canto teve, de Francisca Soares, um filho natural legitimado que se chamou Francisco da Silva do Canto, também cavaleiro de África, onde se destacou de tal modo que lhe foi concedido o foro de cavaleiro fidalgo da Casa Real, por alvará de 7.9.1546, e uma comenda na Ordem de Cristo. Administrou o terceiro dos morgados instituídos pelo pai e casou com D. Luísa Vasconcelos da Câmara, filha de Pedro Álvares da Câmara e de sua mulher D. Andreza Mendes de Vasconcelos, casal de que existe descendência actual.
Pedro Anes do Canto teve, pelo menos, um outro filho, expressamente reconhecido como tal nas suas disposições testamentárias de 1554, que se chamou Francisco do Canto e que faleceu na Índia, com geração que se julga extinta.
Fixaram-se na ilha Terceira outros indivíduos que usaram o apelido Canto, e fr. Diogo das Chagas observa a propósito deles que, embora vivessem á lei da nobreza, não se tratavam por parentes com os descendentes de Pedro Anes do Canto. Estão neste caso, pelo menos, Sebastião Martins do Canto, natural da Terceira e casado com Maria Dias Vieira, e Brás Pires do Canto, que fundou o convento de S. Gonçalo de Angra, reservando para a sua descendência o respectivo padroado. Manuel Lamas (2001)
HERÁLDICA 1 De vermelho, com um canto de prata em forma de ponta diminuída. Timbre: o canto do escudo rematado por um pombo branco de sua cor. 2 (de Pedro Anes do Canto) De vermelho, com um baluarte de prata, lavrado de negro, com quatro bombardas de sua cor, entre as ameias, e sustentado por uma ponta de prata. Timbre: a ponta do escudo rematada por um pombo branco de sua cor. Luís Belard da Fonseca (2001)
