Caneta, O [Manuel Caetano Dias]

[N. Biscoitos, ilha Terceira, 11.8.1917 – m. ibidem, 22.8.1991] Poeta popular. Com a idade de 15 anos foi para o Raminho, onde casou. Galocheiro. Sabia ler e escrever. Começou a cantar ainda novo em pequenos grupos de rapazes da sua idade. Mas só mais tarde é que apareceu a cantar, em público, na freguesia da Vila Nova, com José Cardoso Pato, Bravo, Tenrinho, Turlu, Charrua, e outros. Deslocou-se, para cantar, quatro vezes à Califórnia, duas ao Canadá e uma vez à Bermuda. O Caneta foi um improvisador repentista, que conseguia transmitir, com rigor e fidelidade, muitas situações da vida social, política ou religiosa.

Em desafio com o Abel Costa, na freguesia de São Mateus:

«Há ladrões e caloteiros, / Há assassinatos e roubos. / Mas os bons são os cordeiros / Devorados pelos lobos».

Num Pèzinho, no lugar das Bicas de Cabo Verde, onde cada parceiro falava do avanço da ciência, cantou:

«A vida é cheia de cruzes, / Tragédias e amarguras. / Estamos no século das luzes / Mas andamos sempre às escuras!». J. H. Borges Martins (2007)