Candelária
1 Freguesia do concelho de Ponta Delgada, situada na parte ocidental da ilha de S. Miguel, e limitada pelas freguesias dos Mosteiros (a noroeste), das Sete Cidades (a norte) e das Feteiras (a sudoeste). GEOGRAFIA Estende-se pela encosta sudoeste do edifício vulcânico das Sete Cidades, que, com declive elevado, se apresenta dissecada por uma rede de numerosas grotas entalhadas nos materiais piroclásticos e lavas andesíticas do maciço vulcânico. No litoral o declive é mais fraco, e aí se localizam os aglomerados populacionais, orientados pelo traçado das vias de comunicação. A costa é de arriba alta, pouco recortada, entre as pontas da Lomba da Cruz e da Candelária. O clima é temperado marítimo, ameno, mas a freguesia está exposta às tempestades de sudoeste. Em 1991 contava 1079 habitantes, dos quais 523 homens e 556 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)
HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS Dista cerca de de 20 km da sede do concelho. Candelária inclui três lugares, Pico, Lugar e Lomba da Cruz. O orago da freguesia é Nossa Senhora das Candeias.
Os primeiros habitantes ter-se-iam fixado neste lugar no início do século XVI e a sua veneração ao mistério da Purificação de Nossa Senhora terá estado na origem do nome da freguesia.
Existe na Candelária, num local alto, a Ermida de Nossa Senhora do Socorro que diz a tradição foi mandada construir pelos sobreviventes de um navio inglês que naufragou na costa. Pediram socorro disparando um tiro de peça prometendo construir uma ermida celebrando Nossa Senhora do Socorro no local onde a bala caísse.
É uma área sísmica, frequentemente castigada com tremores de terra, os mais violentos dos quais se registaram em Novembro de 1713, 1773, 1782, 1787, 1810, 1811, 1826, 1848 e 1852. Todos estes tremores de terra provocaram graves prejuízos materiais com o derrube de casas e em alguns casos da igreja paroquial ou suas partes como a torre sineira ou o tecto.
Segundo o pe. Lopes da Luz, na sua Monografia da Candelária, nos abalos de Novembro de 1713, formou-se uma ilha, no mar, em frente à Candelária, mais propriamente de um lugar chamado Ferraria. Nessa altura e de harmonia com o
mesmo autor, os abalos foram tão fortes que a população fugiu para um lugar vizinho, Santa Luzia das Feteiras.
O pe. Lopes das Luz na sua já referida obra, descreve que «rebentou por essa ocasião [1811 -?] uma cratera no mar, junto à costa da Ferraria, da qual saíam línguas de fogo, chegando a tal altura que lambiam o cimo do Pico das Tamarinhas». Essa frequente actividade sísmica, obrigando a repetidas reconstruções das moradias, levou à criação de uma tipologia habitacional típica, casas de bico, que deixam visível o basalto com que são construídas, normalmente com uma porta central com uma janela de cada lado e três janelas no primeiro andar, todo o conjunto rodeado por
pitorescos jardins.
Da segunda metade do século XVI até final do século XVIII, Candelária foi uma aldeia com grande actividade agrícola, reunindo uma população de cerca de 1200 habitantes. De aí para cá, a população vem decrescendo, primeiro devido a
forte surto emigratório e, depois, devido à proximidade de Ponta Delgada que atraiu muitos jovens.
A Candelária tem duas festas religiosas principais. A 2 de Fevereiro, a Festa de Nossa Senhora das Candeias e no segundo domingo de Setembro, em honra do Santíssimo Sacramento. O Divino Espirito Santo é, também, celebrado na Candelária, ao longo das Domingas no cumprimento de antiquíssima tradição que mobiliza toda a comunidade,
A Candelária tem a sua filarmónica, a Lira Nossa Senhora da Estrela, fundada a 4 de Agosto de 1985. Gustavo Moura
2 Lugar sede da mesma freguesia, situada na vertente costeira, pelos 200 m de altitude, organizada ao longo de uma estrada, e concentrando toda a população da freguesia. 3 Freguesia do Concelho da Madalena, situada no extremo ocidental da ilha do Pico, entre as freguesias de Criação Velha, a norte, e de S. Mateus, a sul. GEOGRAFIA Com forma de funil, estende-se desde o litoral até ao cume da montanha do Pico, apresentado-se como uma encosta de topografia regular, muito inclinada no sector mais alto, e acidentada por pequenos cones de piroclastos vulcânicos, dos quais se salientam os cabeços do Homem, da Candelária, de Cima, e do Monte. A costa, de traçado arqueado, é uma arriba baixa, orlada por calhau, pouco sinuosa, com apenas duas saliências que constituem as pontas da Madre Silva e do Espartel. Em 1991 contava 968 habitantes, dos quais 466 homens e 502 mulheres, distribuídos pelos lugares de Candelária (407 habitantes), Monte (367 habitantes) e Mirateca (92 habitantes) (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)
HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS A elevação deste povoado a freguesia deve ter ocorrido por volta de 1626, muito embora os primeiros registos de baptismo conhecidos sejam de 1636.
Quando se fundou a Vila Nova de S. Roque do Pico, em 1542, o sítio da Candelária continuou a pertencer à circunscrição das Lajes, vindo a incorporar o recém-criado concelho da Madalena em 1723. Suspenso este entre 18 de Novembro de 1895 e 13 de Janeiro de 1898, a freguesia da Candelária regressou temporariamente à tutela original.
A actual igreja, templo de bom porte, foi edificada na era de 1760 no lugar de outra de pequenas dimensões. Tem como patrona Nossa Senhora das Candeias que se festeja no dia 2 de Fevereiro de cada ano.
Região vinhateira bastante vasta, alguns dos seus proprietários construíram junto das estâncias de veraneio na orla marítima uma série de ermidas, já todas desaparecidas, a saber: (a) no lugar do Porto do Guindaste a de Nossa Senhora da Boa Morte, existente antes de 1700, foi fundada pelo capitão-mor da Vila das Lajes, Matias da Silveira d'Ávila. Foi destruída pelo devastador ciclone de 28 de Agosto de 1893; (b) a da invocação de Nossa Senhora da Conceição, aluída naquela mesma data, ficou muitos anos em ruínas, acabando por ser demolida em 1918. Situava-se numa cota superior ao porto de Ana Clara, onde ainda se notam vestígios. A sua criação situa-se entre 1706 e 1719, sabendo-se que o seu instituidor era da ilha do Faial; (c) da mesma ilha era Pedro Fernandes Santiago, casado com Ágada Martins, que em 1680 fez doação para o lançamento da de Nossa Senhora da Nazaré a montante do Porto do Calhau, à banda do sul. Parece que estaria profanada quando o aludido ciclone de 1893 a arrasou por completo; e (d) mesmo rente com o mar, no enfiamento do Porto do Pocinho, houve a de Santa Rita, pelo menos a partir de 1792. Sufragânea como as demais à paroquial de Nossa Senhora das Candeias, os seus patrocinadores seriam da cidade da Horta. Tal como as outras atrás referidas foi devorada pelo mesmo ciclone de 28 de Agosto de 1893.
A freguesia da Candelária desenvolvida ao longo de cerca de duas léguas, além do centro mais populoso, abrange os lugares do Campo Raso, Mirateca e Monte, este ainda subdividido em Monte de Cima e Monte de Baixo. Nos limites deste com aspirações a curato, começou a levantar-se exactamente no dia 18 de Agosto de 1901, uma pequena igreja sob a égide da Irmandade de Santo António do Monte e da Família Castro Neves, onde se celebra missa semanalmente. As festividades em honra do seu padroeiro, que incluem o terceiro Domingo de Agosto, atraem muito povo das ilhas do Pico e Faial. Aquela Irmandade, além do custeio do templo, mantém em actividade um salão que centraliza as actividades desportivas, recreativas e culturais da zona.
A fonte principal dos rendimentos da freguesia da Candelária, como das restantes voltadas a oeste, provinha dos vinhos e das aguardentes. À falta de caminhos no litoral que facilitassem o transporte dos frágeis cascos com tão preciosas mercadorias, improvisaram-se em todos os acidentes costeiros mais apropriados pequenos portos ou simples embarcadouros para seu escoamento para o Faial, donde se exportavam, constituindo um rosário de nomes, de uma à outra ponta da freguesia: Carregadouro, Guindaste, Porto do Ruivo, Furada, Cais de João Dias, Porto da Candelária ou de Ana Clara, dos Fogos, Portinho do Mingato, Porto do Calhau, Pocinho e Cais ou Portinho do Rebola. Com a advento do oídio, em 1852, e consequente extermínio dos vinhedos, de todos aqueles apenas ficaram praticáveis os portos do Guindaste, do Calhau e do Pocinho, continuando o segundo como base de armamento dos célebres barcos de boca aberta que, até algumas décadas atrás, conduziam regularmente cargas e passageiros para a cidade da Horta. A vitivinicultura deixou de ter grande expressão, mesmo através de castas recentes, e os famosos figos quase desapareceram, assim como a quase totalidade dos tradicionais alambiques.
A pecuária constitui o sustentáculo mais importante dos que se dedicam ao trabalho do campo.
A Casa do Povo da Candelária, instalada em 1948, é a mais antiga da ilha do Pico e o seu grupo folclórico, requisitado para actuar em palcos exigentes, aquém e além fronteiras, formado em 1949, antecipou-se aos demais de todas as ilhas dos Açores.
No plano associativo, sempre lembradas as suas tunas de instrumentos de corda e agora, de marcante relevo, o hóquei em patins do Candelária Sport Clube.
Oriundos desta freguesia e na arte de calafate e da construção naval, distinguiram-se Mestre Manuel Dias e seus filhos Manuel e José na feitura e reparação de barcos do Canal e os irmãos Guilherme, Alberto e José da Rosa Lemos. O primeiro destes foi o responsável pelo risco de boa parte das lanchas que prestaram serviço na baía da Horta e os outros dois possuíram afamado estaleiro na costa leste dos Estados Unidos da América do Norte.
Para o fim, porque são os primeiros dos seus varões ilustres, há que mencionar D. Jaime Garcia Goulart, 1° bispo de Díli e D. José da Costa Nunes, bispo de Macau, Patriarca das Índias, vice-camarlengo da Santa Sé e cardeal do Sacro Colégio Romano. Aos mesmos, em frente do adro, dedicaram-se sugestivos bustos em bronze do cinzel de conceituados escultores, que ficarão a perpetuar as suas egrégias efígies para a posteridade.
D. José da Costa Nunes, entretanto trasladado de Santo António dos Portugueses, onde residia e ficara sepultado em Roma, para capela própria na Igreja Paroquial da Candelária, deixou os seus bens, com destaque para o precioso recheio do seu palacete, para suporte da Casa de S. José, obra de âmbito social, erecta em 1970. Tomaz Duarte Jr. (Mar.2001)
Ponta da Candelária Pequena saliência da arriba andesítica da costa sudoeste da ilha de S. Miguel, situada no limite da freguesia da Candelária com a dos Ginetes. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE.
