campanuláceas
Família das Dicotiledóneas, baseada no nome genérico Campanula, constituída, segundo Franco (1984), por ervas ou muito raramente subarbustos, geralmente laticíferos. Folhas geralmente alternas, sem estípulas. Flores masculinas e femininas. Cálice 3- a 5-partido. Corola mais ou menos fundamente lobada, de prefloração valvar. Estames livres ou concrescentes. Disco por vezes presente. Estilete 1; estigmas 2-5. Ovário ínfero, 2- a 5-locular. Pseudocápsula poricida, valvar ou de deiscência irregular, raramente indeiscente. Sementes numerosas.
Segundo Franco (1984), estão registadas para os Açores as espécies:
Campanula erinus, terófito viloso-híspido de caule com 3-10 (-30) cm, dicotómico-ramoso, tenuamente anguloso e estriado; folhas com 5-20 mm, alternas ou opostas, setígeras, ovadas ou obovadas, crenado-serradas ou serradas, por vezes sinuado-lobadas, sésseis; flores terminais e axilares, subsésseis; segmentos do cálice com 2-4 mm, lanceolados, erectos mas tornando-se patentes depois da ântese; corola com 3-5 mm, tubuloso-campanulada; pseudocápsula gomilosa, pendente. Ocorre em todas as ilhas dos Açores, excepto na do Corvo, em sítios secos, pedregosos ou arenosos Franco (1984).
Azorina vidalli, hemicriptófito subarrosetado, glabro, viscoso, simétrico, com uma roseta de folhas terminal abaixo da qual se insere um verticilo de ramos axilares cada um terminado numa inflorescência simples ou ramosa; caules até 200 cm; folhas com 30-90 x 3-9 mm, oblongo-acunheadas, inteiras a crenado-dentadas, um tanto suculentas e coriáceas, dentes do cálice ¼ a ? do tubo; corola com 25-35 mm, pálido-rosada, raramente branca, hirsuta por dentro; ovário costado; pseudocápsula erecta ou levemente nutante (Franco, 1984). Endemismo açórico, ocorre em todas as ilhas dos Açores (Sjögren, 2001), em fendas das falésias sobre o mar onde não haja acumulação de solo, mas também em vertentes abruptas com depósitos arenosos, sempre em habitats fortemente expostos (na ilha do Corvo acontece aparecer sobre telhados). Cresce frequentemente associada com Chrithmum maritimum e com outras espécies tolerantes à brisa marítima (Franco, 1984; Palhinha, 1966; Sjögren, 2001). Existem várias populações, que nalgumas localidades podem ser razoavelmente grandes. Apesar de tudo, esta planta, que é uma das mais valiosas e bonitas da flora açoriana, carece de protecção nos seus habitats naturais (Sjögren, 2001). É conhecida, pelo menos nalgumas ilhas, por vidália.
Legousia castellana, terófito de 35-70 cm, muito áspero, geralmente simples; folhas próximas oblongas atenuadas num curto pecíolo, as restantes lanceoladas e sésseis, todas subunduladas; flores axilares, reunidas em longo cacho especiforme folhoso; segmentos do cálice ?-½ do ovário na ântese, lineares, erecto-patentes, levemente curvos; corola azulada ou violácea, subigualando os segmentos do cálice; pseudocápsula com 15-20 mm, não atenuada. Está registada para a ilha Terceira (Franco, 1984).
Trachelium caeruleum subsp. caerulum, caméfito lenhoso até 100 cm, subglabro, erecto; folhas ovadas a largamente lanceoladas (na subsp.), curtamente pecioladas (pecíolos não alados na subsp.), 2-serradas com dentes agudos cilioladas (na subsp.); cimeira corimbiforme multiflora, um tanto frouxa; corola azul ou lilacínea, raramente branca, de tubo com 4-6 mm, muito fino e muito mais comprido que os lóbulos; pseudocápsula com cerca de 2 mm, largamente piriforme. Ocorre subespontâneo (Palhinha, 1966), em S. Miguel, Terceira e Faial (Franco, 1984; Palhinha, 1966) e nas Flores, em sítios húmidos ou sombrios, frequentemente em fendas de rochas ou muros velhos (Franco, 1984).
Jasione montana subsp. montana, terófito ou hemicriptófito subarrosetado mais ou menos viloso a glabrescente ou setuloso, com caules de (12-) 25-55 cm, geralmente muito ramosos na base, ascendentes ou difusos; planta geralmente bienal; folhas com (6-) 10-30 (-40) x 2-7 mm, oblongas, oblongo-lanceoladas, oblanceoladas ou estapuladas, menos vezes linear-oblongas, planas ou crespas na margem; brácteas involucrais agudas ou acutiúsculas, não excedendo as flores; segmentos do cálice glabros. Ocorre no Faial, onde é vulgar até 1000 m de altitude (Franco, 1984).
Lobelia erinus, hemicriptófito subarrosetado caducirosulado, com caules de 10-30 cm, ascendentes, folhas basilares obovadas a suborbiculares, as caulinares frequentemente liner-lanceoladas e flores azuis (raramente rosadas ou brancas) em cachos paucifloros. É uma planta originária da África do Sul, cultivada como ornamental nos jardins açorianos, encontrando-se fugida da cultura nas paredes e taludes pedregosos e rochedos do Faial, do Pico, da Terceira e de S. Miguel (Franco, 1984).
L. urens, hemicriptófito subarrosetado subglabro, de caule com 20-60 cm, erecto e sólido; folhas linear-lanceoladas ou oblongas ou oblongo-obovadas, remotamente serradas, as proximais pecioladas e as distais sésseis; cacho multifloro, frequentemente paniculado, com brácteas lineares, subigualando ou excedendo os pedicelos curtos; flores com 10-15 mm, erectas ou patentes; segmentos do cálice estreitamente triangulares, agudos e ásperos; corola azul ou purpurescente. Ocorre em relvados húmidos nas ilhas das Flores, do Faial e da Terceira (Franco, 1984). Luís M. Arruda (2002)
Bibl. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Astória: 323-333. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.
