caminho-de-ferro em S. Miguel

Foi um projecto não concretizado, mas que mobilizou a opinião pública micaelense, entre 1893-1921. As centenas de artigos publicados na imprensa eram na sua maioria favoráveis, mas surgiram também alguns contra. As propostas de construção do caminho de ferro eram encaradas como um passo essencial para o desenvolvimento económico da ilha e enquadram-se nos contextos políticos em que se desenvolveu a luta por uma maior autonomia. Os primeiros passos concretos foram dados em 1897, com a criação de uma Comissão Promotora e a apresentação de uma memória descritiva da autoria de Diniz Moreira da Mota. Tanto este como outros projectos posteriores, com traçados muito variados, foram apresentados ao Poder Central que aprovou uns e rejeitou outros. A publicação de legislação que possibilitava a construção da linha férrea micaelense, proporcionou o aparecimento de apoios financeiros de capitais franceses, ingleses, alemãs e americanos, chegando a constituir-se empresas com esse objectivo. Em 1918, os capitais portugueses também se interessaram pelo projecto, formando-se a Companhia do Caminho de Ferro de S. Miguel, com os apoios da firma Bensaúde e do Banco Nacional Ultramarino. Razões várias acabaram por ir adiando a concretização do projecto. Por um lado, divergências entre intervenientes locais que se ligaram aos diversos grupos financeiros e não se entenderam quanto ao modelo a seguir - público ou privado; por outro lado, as limitações da Junta Geral do Distrito e, posteriormente, da Câmara Municipal que não tinham capacidades para dar seguimento aos projectos. Em 1921, quando se desencadeou a crise cambial a nível mundial, os micaelenses convenceram-se da inviabilidade do projecto e foram, gradualmente, perdendo o entusiasmo. Carlos Enes (Fev.2001)

Bibl. Revista Michelense (1919), Chronica Economica. O problema da viação rápida de Ponta Delgada – o estudo económico. Ponta Delgada, 3, Julho: 293-314.