cameleira

Nome vulgar de Camellia, género da família Theaceae, também conhecido por camélia. Neste taxon estão incluídas muitas espécies, 150 segundo alguns autores, mas este número foi recentemente muito aumentado com as investigações chinesas. A designação Camellia teve origem no nome de George Camel (Camellus), padre jesuíta que viajou pela Ásia e que em 1704 publicou um livro sobre as plantas de Luzón. As camélias são originárias da China, Japão, Coreia e regiões vizinhas com climas temperados quentes e invernos frios. Estas plantas até toleram alguma neve, mas não muito prolongada. Não toleram ventos frios. Necessitam de Verões quentes e húmidos, solos bem drenados, ácidos, ricos em matéria orgânica; algumas espécies suportam solos próximos da neutralidade, mas a Camellia japonica prefere os solos com pH 5, ou seja, muito ácidos. Suportam o sal e a poluição, o que as torna plantas de eleição para zonas próximas do mar e grandes cidades. As camélias são arbustos ou árvores. Chegam a atingir 20 m de altura. Têm grande longevidade, há exemplares cuja idade se estima em mais de 500 anos. As folhas são persistentes por 2-3 anos, espessas a coriáceas, elípticas, lanceoladas ou ovadas, com apex agudo, acuminado ou assovelado, base acuneada, margens denticuladas a serruladas, por vezes cobertas de pontos ou linhas salientes, verruculosos, a nervação é peninérvia, os pecíolos curtos; as flores são bissexuais terminais ou axilares, em pares ou em conjuntos de mais de duas, brancas, cor de rosa, vermelhas ou amarelas, por vezes aromáticas, o seu diâmetro pode variar de 1 a 14 cm, em cultura podem-se apresentar dobradas ou semi-dobradas e maiores do que as formas silvestres, os pedicelos curtos geralmente com 2 a 8 bractéolas formando um invólucro abaixo do cálice, sépalas 5-6, pubescentes ou glabras, pétalas 5-12, estames numerosos, muitas vezes com os filetes unidos formando um tubo de filamentos, outras vezes livres, ovário súpero com 1-3-5 lóculos, um estilete com estigma trilobado ou três estiletes livres cada um com um estigma simples; fruto uma cápsula com 1-3-5 lóculos; sementes 1-8 por lóculo, com endosperma rico em óleo. Nos Açores, a camélia floresce e frutifica abundantemente. É muito provável que se tenham formado novos híbridos, uma vez que tem sido muito cultivada em sebes, condição que facilita o cruzamento ou se cultivem algumas quimeras dado que a camélia as emite com muita frequência, mas uma das origens destas plantas foram as criações de Moreira da Silva, ilustre horticultor do Porto, que tanto se dedicou à camélia e foi agraciado com numerosas medalhas de ouro em exposições internacionais, muitas das quais foram aqui introduzidas. É possível identificar neste arquipélago as seguintes espécies :

Camellia japonica, oriunda do Japão, da China e da Coreia - estão registadas na Intenational Camellia Register mais de 20 000 cultivares desta espécie. Os japoneses fizeram as primeiras referências a esta planta há 2 000 anos, mas à madeira, da qual era feito um martelo usado pelo imperador para abrir uma sessão. No século XVII publicaram um livro descrevendo mais de 160 cultivares. Recentemente têm criado novas variedades de grande beleza.

Camellia reticulata, originária da China, expontânea em Yunan. Existe nos Açores a variedade semi-dobrada, vermelha, conhecida como «Captain Rowes» que a introduziu na Europa em 1820.

Camellia oleifera arbusto, ou pequena árvore que pode atingir 7 m. Produz flores brancas, com numerosos estames e aromática. As sementes são muito ricas em óleo, o que justifica o seu nome científico.

Camellia sasanqua, encontra-se geralmente a variedade Simplex, com uns lindos estames formando um tubo central, corola simples, em branco, rosa e vermelho.

Camellia sinensis é a planta do *chá, cultivada em S. Miguel.

Curioso é notar que 113 variedades destas espécies de camélias já se encontravam à venda em Ponta Delgada em 1858, como se pode ver no catálogo de George Brown daquele ano. A cultura da camélia nos Açores é facilitada pelas condições naturais favoráveis, mas, torna-se necessário combater os *afídios, as cochonilhas e principalmente as tripes que provocam a morte dos tecidos das folhas junto da nervura dando-lhe uma tonalidade acobreada. A fertilização com matéria orgânica é indispensável. A propagação pode fazer-se por semente, principalmente para obter novas variedades ou cavalos para enxertar. Também se usa para multiplicar plantas que não são híbridas. A Camellia reticulata é tradicionalmente propagada por enxertia de encosto, a Camelia japonica propaga-se bem por estaca, a utilização de hormonas abrevia o enraizamento e, conduz a melhores resultados. A mergulhia também resulta quando se dispõe de ramos junto ao solo e se pretende um reduzido número de plantas. Raquel Costa e Silva (Mai.2001)

 

Bibl. Brown, G. (1858), Catálogo das Plantas. Ponta Delgada. Hyams, E. e Treseder, N. (1975), Growing Camellias. Exeter, A. Wheaton & Cº: 22-29. Trehane, J. (1997), Camellia japonica, Journal of the Royal Horticultural Society. The Garden. Londres, 125, Pte. 2, Fev. 2000: 140 – 115. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, Macmillan Press, 1: 479-485. Yunan Camellias of China (1986), Beijing, The Kunming Institute of Botany, Academia Sinica: 116 – 132.