camaroeiro

Segundo Fernandes (1984) trata-se de uma pequena rede cónica, tipo enchelavar, com a boca entralhada num aro de ferro com um cabo de madeira. As suas dimensões são de aproximadamente duas braças de perímetro na boca e uma braça de altura. É usado principalmente de noite na pesca do *chicharro para isco.

O método de pesca consiste em engodar o peixe com chicharro e batata moídos e com a luz de 1 ou 2 candeeiros de petróleo tipo petromax pendurados à borda nuns cavaletes de madeira. Quando há chicharro em quantidade, enche-se o camaroeiro e vaza-se o peixe a bordo. Toda a operação é feita à mão.

Ribeiro (1936) descreve-o para a ilha Terceira, como um enchelavar pequeno, de cabo, com arcadura de ferro, cuja rede era antigamente tecida numa só peça feita em 3 panos ou bandas cosidas. Refere-o como destinado a apanhar camarão.

Para Silva (1903), conhecido por camoeiro na ilha de S. Miguel, é uma pequena rede tendo o diâmetro de 0,30 m x 0,30 m de altura, com malha de meia polegada de lado e fio de um milímetro de diâmetro, afectando a forma de uma pirâmide e tendo a base ligada em parte a um marmeleiro que lhe dá a forma circular, - colhe da canoa meia dúzia de peixinhos que atira ao mar na pesca do *bonito.

Segundo Medeiros (1967), conhecido por cramoeiro na ilha do Corvo, é um enxalavar em ponto pequeno, provido de guindas e cuja boca tem menos de 1 m de diâmetro. É utilizado na pesca do peixe-rei. Luís M. Arruda (2001)

 

Bibl. Fernandes, L. M. R. (1984), Artes de pesca artesanal nos Açores. Horta, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Medeiros, C. A. (1967), A ilha do Corvo. Lisboa, Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Ribeiro, L. S. (1936), Notas sobre a pesca e os pescadores na ilha Terceira. Açoreana, 1, 3: 147-159. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália, Porto, 1, 4: 835-846.