Câmara, Rui Gonçalves da

 [N. ?, ? - m. ?, 20.10.1535] 5º capitão de S. Miguel. Filho de João Rodrigues da *Câmara e de D. Inês da Silveira, estava na corte quando ocorreu a morte do pai. Por ser menor de idade, seu tio, Pedro Rodrigues da *Câmara, ficou à frente da capitania de S. Miguel até 1504. Rui Gonçalves da Câmara casou ainda em vida de seu pai com D. Filipa Coutinho, filha de Lopo Afonso Coutinho (ou Rui Lopes Coutinho, segundo D. António Caetano de Sousa), irmão do conde de Marialva. Em 1504, ambos se instalaram em S. Miguel, assumindo Rui Gonçalves da Câmara o governo da capitania. Cerca de 1510, ocorreram graves conflitos entre o ouvidor eclesiástico da ilha e o corregedor que se arrastaram por alguns anos (Arquivo dos Açores, 1980, I: 107-109 e 110-115; Id., 1981, III: 20-22). Também o próprio capitão foi acusado por particulares que com ele traziam uma demanda, motivo pelo qual foi chamado à corte em 1510, sendo acompanhado na viagem por diversos notáveis. Foram enviados para Tânger, onde serviram o monarca durante um ano. De regresso à corte, na sequência das acusações que lhe foram feitas, perdeu a jurisdição da capitania, optando por permanecer na corte de modo a tentar recuperá-la. Graças à amizade e aos favores do monteiro-mor Jorge de Melo, viria a recuperar aquela jurisdição, sendo o relacionamento entre ambos selada com o casamento dos filhos, Manuel da *Câmara e D. Joana de Mendonça. Regressou a S. Miguel em 1517, com muitas dívidas, mas esse facto não o impediu de fomentar a economia local, mandando vir semente de pastel de Toulouse e coelhos e codornizes do reino e ordenando a edificação de inúmeras atafonas na vila de Ponta Delgada, que à data era já o núcleo urbano de maior desenvolvimento na ilha. Durante o seu governo, ocorreu em 1522 o sismo que destruiu Vila Franca do Campo e, entre 1523 e 1531, um surto de peste, que, por ser mais prolongado em Ponta Delgada, motivou a ida do capitão para a Ribeira Grande em 1527 (Frutuoso, 1981, II: 291-340). Rui Gonçalves da Câmara e D. Filipa Coutinho fizeram testamento a 29 de Janeiro de 1524, no qual nomearam o filho, Manuel da Câmara, como herdeiro. Foi sepultado na capela-mor do convento de S. Francisco de Ponta Delgada; D. Filipa Coutinho faleceria muitos anos depois, a 1 de Janeiro de 1551. José Damião Rodrigues (Fev.2001)

 

Bibl. Arquivo dos Açores (1980-1981), Ed. fac-similada da ed. original, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, I e III. Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, Fundo Ernesto do Canto, Manuscritos, Livro 133-A. Frutuoso, G. (1977-1987), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 3 vols. Maia, F. A. M. F. (1988), Capitães dos Donatários (1439-1766). 4ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Sousa, A. C. (D.) (1953), História Genealógica da Casa Real Portuguesa. Nova ed., Coimbra, Atlântida, XII, I.