calionimídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Callionymidae. Segundo Fricke (1986), os peixes que nela se incluem têm o corpo sem escamas; sem espinhos sobre o opérculo ou o subopérculo mas com um espinho preopercular alargado; excepto no género Draculo, primeira barbatana dorsal com 3 a 4 espinhos, segunda dorsal com 6 a 10 raios e anal com 8 a 10 raios não divididos, excepto o último que é fendido até à base; barbatanas pélvicas em posição jugular; aberturas branquiais reduzidas a poros; linha lateral constituída por poros.

Bênticos, ocorrem sobre os fundos arenosos e lodosos, algumas vezes sob pedras, da zona das marés até 650 m de profundidade, em mares temperados e quentes. Muitas espécies são territoriais. Os machos, agressivos, desenvolvem um cortejamento complexo com quatro fases: cortejo, emparelhamento, ascendimento, libertação e fecundação dos ovos. Os ovos e as larvas são pelágicos.

Para os Açores estão registadas as espécies Callyonimus reticulatus, como C. lyra, por Fowler (1936: 1323), e Synchiropus phaeton, como Callyonimus phaëton, por Vaillant (1888: 349) (Arruda, 1997; Nakabo, 1982; Santos et al., 1997). O registo da espécie C. lyra por Fowler (1936) tem por base um exemplar obtido na ilha Terceira, em 1894, por William Trelease. Segundo aquele autor, "cantro" e "soma" seriam os nomes vernáculos atribuídos a esta espécie, naquela ilha.

Os indivíduos da espécie C. reticulatus, segundo Fricke (1986) e Fowler (1936), têm o espinho preopercular terminando em três pontas, duas dirigidas para cima e uma, mais pequena, na base do espinho, apontada para trás, espinho antrorso de base muito pequena, rudimentar ou ausente; primeira barbatana dorsal com 4 espinhos e segunda dorsal com 10 raios; anal com 9, raramente 8 ou 10 raios; cor castanha ou alaranjada, dorsalmente, com 6 manchas mais escuras, ventre branco; segunda dorsal, com manchas escuras, grandes irregulares, formando fiadas verticais ou oblíquas, nos machos, e incolores, nas fêmeas. Bênticos, sobre fundos arenosos, desde a zona das marés até cerca de 100 m de profundidade. Alimentam-se de pequenos invertebrados do fundo. Ocorrem no Atlântico, desde o Mar do Norte até à Mauritânia.

Na espécie S. phaeton o espinho preopercular termina em duas pontas dirigidas para cima e não tem espinho antrorse na base; cor laranja ou vermelha dorsalmente, com manchas cor de azeitona, ventre cor de rosa ou prateado. Bênticos, sobre fundos arenosos ou lodosos, a profundidades entre cerca de 80 m e 650 m. Alimentam-se de pequenos invertebrados do fundo. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde a costa portuguesa até aos Açores, à Madeira e algures ao Golfo da Guiné. Luís M. Arruda (2001)

Bibl. Arruda, L. M. (1997), Checklist of the marine fishes of the Azores. Arquivos do Museu Bocage (Nova Série), 8, 2: 13-164. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa. Bulletin of the American Museum of Natural History, 70, 2: 607-1493. Fricke, R. (1986), Callionimydae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1086-1093. Nakabo, T. (1982), Revision of genera of the dragonets (Pisces: Callionymidae). Publications of the Seto Marine Biological Laboratory, 27, 1-3: 77-131. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Vaillant, L. (1888), Poissons In Masson, G. (ed.), Expédition Scientifique du "Travailleur" et du "Talisman" pendant les années 1880-1883. Paris, Masson.