caldeira (vulcânica)

Depressão vulcânica de grandes dimensões, geralmente em forma de alguidar, que pode ser encontrada frequentemente no topo de grandes edifícios vulcânicos. O seu diâmetro é várias vezes superior ao de uma cratera, podendo conter vários centros eruptivos menores e lagoas no seu interior. As dimensões são geralmente quilométricas, podendo, em casos extremos e em certos contextos geodinâmicos, atingir uma centena de quilómetros de diâmetro maior. A profundidade é normalmente da ordem da centena de metros, atingindo por vezes um quilómetro (caso da Caldeira da ilha do Fogo em Cabo Verde).

Na bibliografia científica encontram-se referências a três tipos de caldeira, as quais são designadas de acordo com a sua génese. O tipo mais importante de caldeiras resulta do afundamento de uma porção do edifício vulcânico para o interior da câmara magmática subjacente, em resultado do esvaziamento parcial desta durante, ou na sequência, de erupções volumosas (normalmente explosivas), ou de movimentações subterrâneas de magma. A estas dá-se o nome de caldeiras de colapso. Outro tipo, as caldeiras de explosão, está geneticamente relacionado com processos vulcânicos explosivos que originem a remoção da parte superior de um cone vulcânico. Estas caldeiras são menos frequentes e apresentam geralmente dimensões reduzidas. De facto, a nomenclatura mais adequada para este tipo de depressão vulcânica deveria ser a de cratera de explosão. Um terceiro tipo é o das caldeiras de erosão que resultam de um alargamento erosivo de uma caldeira pré-existente. Contudo, é vulgar atribuir também essa designação a depressões profundas em forma de circo criadas por erosão fluvial em regiões vulcânicas. Estas correspondem simplesmente a bacias hidrográficas dendríticas com forma quase circular (por exemplo, o Curral das Freiras na Madeira, ou a depressão de Chã de Morte na ilha de Santo Antão em Cabo Verde). Consequentemente, não devem ser consideradas verdadeiras caldeiras, uma vez que a sua génese não é vulcânica, pois resultam de processos puramente erosivos.

Assim, a designação de caldeira apenas deveria ser utilizado para o primeiro dos três tipos referidos, as caldeiras de colapso que são as verdadeiras caldeiras no sentido mais restrito.

Nos Açores podem encontrar-se os três tipos. As caldeiras de colapso ocorrem em todos os grandes edifícios vulcânicos açorianos: Caldeira das Furnas, Caldeira da Lagoa do Fogo e Caldeira das Sete Cidades, em S. Miguel; Caldeira da Serra do Cume ou dos Cinco Picos, Caldeira de Guilherme Moniz, Caldeira do Pico Alto e Caldeira de Santa Bárbara, na ilha Terceira; Caldeira da Graciosa; Caldeira do Faial; e Caldeirão no Corvo. Embora a depressão existente no topo do vulcão do Pico não conste na toponímia local com a designação de caldeira, trata-se, na realidade, de uma pequena caldeira (pit crater) pouco desenvolvida. À excepção desta, que deverá ter resultado de erupções efusivas muito volumosas, todas as restantes estão ligadas a eventos vulcânicos explosivos, relacionados com erupções do tipo pliniano (sensu latu) com emissão de pedra pomes e, nalguns casos, de ignimbritos. A regularidade da forma destas caldeiras tem a ver com o facto de resultarem de um ou mais episódios de colapso, com formação de várias depressões embutidas ou coalescentes. A idade da sua formação condiciona, por outro lado, o grau de preservação das formas originais: as caldeiras mais modernas apresentam formas muito perfeitas, enquanto que as mais antigas têm formas mais degradadas.

As caldeiras, ou crateras, de explosão são comuns na ilha das Flores e resultam de erupções freato-magmáticas. Existem naquela ilha quatro destas caldeiras: a Caldeira Negra, a Caldeira Comprida, a Caldeira Seca e a Caldeira Funda.

A Caldeira da Povoação, na ilha de S. Miguel, exemplifica o caso das caldeiras de erosão, pois trata-se de uma forma erosiva que parece ter derivado de uma caldeira antiga. José Madeira (2001)