Caldeira do Santo Cristo

Lugar da freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, ilha de S. Jorge, localizado na fajã da Caldeira. Em 1991 contava 8 pessoas (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)

Fajã da Caldeira do santo cristo A metade oriental da costa norte de ilha de S. Jorge, quase perfeitamente rectilínea, apresenta duas notáveis fajãs de depósito de vertente, a Fajã dos Cubres e a da Caldeira de Santo Cristo, localizadas na base de altíssimas arribas (680 a 750 m). Estas fajãs, que se destacam pela morfologia, única nos Açores, e pela enorme beleza paisagística, são constituídas por uma plataforma adjacente à arriba litoral, inclinada para o mar, à frente da qual existe uma laguna limitada por restingas de calhau rolado.

As duas fajãs resultaram de quebradas das arribas sobranceiras. Pensa-se que aqueles grandes movimentos de massa foram desencadeados por um sismo local de magnitude elevada, mobilizando grande quantidade de material das arribas que entrou pelo mar, originando as plataformas referidas. Aqueles materiais foram, posteriormente, trabalhados pelo mar, formando os cordões de cascalheira que limitam as lagunas.

Uma das falhas onde pode ter sido gerado o sismo responsável pela quebrada localiza-se no rebordo da arriba litoral norte, apresentando escarpa de falha fresca com cerca de um a dois metros de altura; a última rotura naquela estrutura tectónica (Falha do Cume da Fajã do Belo) deverá ter ocorrido há alguns séculos, anteriormente ao povoamento da ilha. Note-se que nenhum dos dois grandes sismos que afectaram S. Jorge (1757 e 1980) originou quebradas de dimensão equivalente às que formaram aquelas duas fajãs.

A lagoa da Fajã da Caldeira é famosa no arquipélago por ser o único local dos Açores onde existem amêijoas. Ver área ecológica especial da lagoa da caldeira de Santo Cristo. José Madeira (2001)

Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE.