Caldeira do Pico Alto

Caldeira vulcânica de colapso formada no topo do Vulcão do Pico Alto na ilha Terceira. Este vulcão é um de quatro grandes edifícios vulcânicos do tipo central existentes na ilha, localizando-se a norte da Caldeira de Guilherme Moniz (Self, 1971; Zbyszewski et al., 1971). O centro eruptivo do Pico Alto sobrepõe-se aos edifícios vulcânicos da Serra do Cume e de Guilherme Moniz, encontrando-se parcialmente coberto pela zona de vulcanismo fissural basáltico localizada a oeste. O diâmetro da base do vulcão, ao nível do mar, ronda 5 a 6 km, elevando-se até à altitude de 808 m (no vértice geodésico Pico Alto).

A caldeira encontra-se quase totalmente preenchida com produtos efusivos (domas e escoadas) e explosivos (piroclastos), de natureza traquítica, que dificultam o seu reconhecimento como tal. A bordeira encontra-se, ainda, preservada em três pequenos troços: a leste do vértice geodésico Juncal, a nordeste da Lagoa do Labaçal, e próximo da cabeceira da ribeira da Agualva (ponto cotado 595, Caldeira da Agualva na Carta Militar de Portugal). Pelo que é possível perceber da sua forma parece ter resultado de vários episódios de colapso que criaram depressões coalescentes. Apresenta-se alongada segundo NW-SE, com diâmetro maior de 3,5 km e diâmetro menor de 2,8 km. O ponto mais profundo no interior da caldeira encontra-se a 536 m, localizando-se numa zona deprimida situada a SE do vértice geodésico Juncal.

Vários grandes domas traquíticos localizam-se sobre a fractura que delimita a caldeira, entre os quais o Pico das Pardelas, o Pico Alto, o Pico Agudo e o Pico da Terra Brava. Os dois primeiros estão associados a derrames traquíticos (coulées) que atingiram a costa norte respectivamente nos Biscoitos e na Lagoa.

A caldeira ter-se-á formado durante a erupção que originou o volumoso ignimbrito das Lajes, há 18 a 20 mil anos (as duas datações disponíveis indicam idade de 18.600 ± 650 anos e 19.680 ± 330 anos para o ignimbrito; Lloyd e Collis, 1981). José Madeira (2001)

Bibl. Lloyd, E. F. e Collis, S. K. (1981), Geothermal Prospection – Ilha Terceira, Açores: Geological Report. Relatório técnico não publicado produzido para a Secretaria Regional do Comércio e Indústria do Governo Regional dos Açores: 96 p. Self, S. (1971), The Lajes ignimbrite, Ilha Terceira, Açores. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 55: 165-184. Zbyszewski, G., Cândido de Medeiros, A., Veiga Ferrreira, O. e Torre de Assunção, C. (1971) Carta Geológica de Portugal: Notícia Explicativa da folha da Ilha Terceira. Lisboa, Serviços Geológicos de Portugal.