Caldeira das Sete Cidades
Depressão vulcânica complexa resultante de vários episódios de colapso no topo de um dos cinco vulcões centrados que, conjuntamente com a zona de vulcanismo fissural dos Picos, constituem a ilha de S. Miguel. O Vulcão das Sete Cidades, localizado na região oeste da ilha, é o mais ocidental de quatro sistemas vulcânicos activos: os vulcões centrais das Sete Cidades, do Fogo ou Água de Pau, e das Furnas e a zona fissural dos Picos.
A caldeira apresenta forma aproximadamente circular, diâmetro de cerca de 5 km e profundidade máxima de quase 600 m. O rebordo varia entre cotas de 450 m a NW, culminando no pico da Cruz a 856 m de altitude (Zbyszewski e Veiga Ferreira, 1959; Zbyszewski et al., 1959).
O interior da caldeira apresenta estruturas vulcânicas variadas, cones de pedra pomes, maares e domas, e duas grandes lagoas na região mais deprimida: a Lagoa Azul, a norte, e a Lagoa Verde, a sul, separadas por um estreito istmo. Outras pequenas lagoas ocupam o interior de crateras de cones e maares: a Caldeira do Alferes, a Lagoa Rasa e a Lagoa de S. Tiago.
O vulcão é constituído por duas grandes sequências vulcânicas (Queiroz, 1998; Queiroz e Gaspar, 1998). A sequência inferior, formada na sequência de actividade efusiva dominante, é caracterizada por um conjunto de derrames lávicos e produtos piroclásticos, constituindo o substrato sub-aéreo do vulcão que começou a ser edificado há mais de 200 mil anos. A sequência superior engloba os produtos vulcânicos, predominantemente explosivos, emitidos nos últimos 36 mil anos e é formada por depósitos de pedra pomes, de escórias, escoadas piroclásticas, domas e pequenas escoadas lávicas.
A análise da morfologia e estrutura, associada a dados geocronológicos e argumentos vulcanológicos, indica que a caldeira resultou de três grandes fases de colapso (Queiroz, 1998; Queiroz e Gaspar, 1998). A primeira iniciou-se há cerca de 36 mil anos; o segundo episódio de colapso, há 29 mil anos, alargou a depressão para NW, e finalmente, há 16 mil anos ocorreu uma terceira fase de abatimento a norte das duas anteriores.
Nos derradeiros 5 mil anos o estilo eruptivo passou a ser predominantemente freatomagmático. Esta fase engloba pelo menos 17 erupções no interior da caldeira, a última das quais ocorreu na Caldeira Seca há 700 anos. A história eruptiva recente do vulcão das Sete Cidades permite considerá-lo como o mais activo dos vulcões açorianos. José Madeira (2001)
Bibl. Queiroz, G. (1998), Vulcão das Sete Cidades (S. Miguel, Açores): história eruptiva e avaliação do hazard. Dissertação de doutoramento, Universidade dos Açores: 226 p. [policopiado]. Queiroz, G. e Gaspar, J. L. (1998), The geology of Sete Cidades volcano, S. Miguel Island, Azores. EC Advanced Study Course, 1998: Volcanic Hazard Assessment, Monitoring and Risk Mitigation: 47-48. Zbyszewski, G. e Veiga Ferreira, O. (1959), Folha «A» da ilha de S. Miguel da Carta Geológica de Portugal na escala 1:50 000. Lisboa, Serviços Geológicos de Portugal. Zbyszewski, G., Veiga Ferreira, O. e Torre de Assunção, C. (1959), Notícia Explicativa da Folha «A» da ilha de S. Miguel da Carta Geológica de Portugal. Lisboa, Serviços Geológicos de Portugal.
