Caldeira da Serra do Cume

Caldeira vulcânica localizada na região oriental da ilha Terceira. Esta caldeira formou-se no topo do mais antigo de quatro grandes edifícios vulcânicos do tipo central existentes na ilha (Self, 1971; Zbyszewski et al., 1971). Alguns autores (Lloyd e Collis, 1981) consideram não se tratar de uma caldeira, mas de uma depressão tectónica. O Vulcão da Serra do Cume, com mais de 300.000 anos (Feraud et al., 1980), encontra-se parcialmente coberto pelos centros vulcânicos do Pico Alto e da Serra do Morião e está recortado pelo conjunto de falhas que constitui o graben das Lajes. Trata-se de um vulcão escudo, constituído por derrames basálticos, cujo diâmetro da base, ao nível do mar, terá excedido 14 km. Este edifício vulcânico eleva-se até à altitude de 545 m na Serra do Cume.

A bordeira que delimita a caldeira, actualmente incompleta, está representada por dois troços, a Serra do Cume e a Serra da Ribeirinha, localizados, respectivamente, a nordeste e sudoeste. A noroeste e sueste o rebordo da caldeira encontra-se fossilizado por derrames lávicos mais recentes (o mais moderno dos quais é o que foi emitido pelo cone do Algar do Carvão há 2115 anos) que a preencheram totalmente e transbordaram para norte e sul. Aqueles derrames são provenientes dos cones do flanco sul do maciço vulcânico do Pico Alto e de um conjunto de cones modernos que ocorre na região central da caldeira – os Cinco Picos. Trata-se, na realidade, de mais de uma dúzia de cones estrombolianos, alinhados sobre fracturas com orientação noroeste-sueste. A própria forma da caldeira parece controlada por falhas com essa direcção, a qual está bem representada na forma rectilínea da Serra da Ribeirinha.

É a maior caldeira dos Açores, apresentando 7 km de diâmetro. O ponto mais alto do seu bordo localiza-se no vértice geodésico Serra do Cume aos 545 m de altitude. O fundo da caldeira encontra-se a altitudes que oscilam entre 400 m a noroeste e 270 m a sueste. No interior existem três lagoas: do junco, do Ginjal e da Achada. José Madeira (2001)

Bibl. Feraud, G., Kaneoka, I. e Allegre, C. J. (1980), K-Ar ages and stress pattern in the Azores: geodynamic implications. Earth and Planetary Sciences Letters, 46: 275-286. Lloyd, E. F. e Collis, S. K. (1981), Geothermal Prospection – Ilha Terceira, Açores: Geological Report. Relatório técnico não publicado produzido para a Secretaria Regional do Comércio e Indústria do Governo Regional dos Açores: 96 p. Self, S. (1971), The Lajes ignimbrite, Ilha Terceira, Açores. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 55: 165-184. Zbyszewski, G., Cândido de Medeiros, A., Veiga Ferrreira, O. e Torre de Assunção, C. (1971) Carta Geológica de Portugal: Notícia Explicativa da folha da Ilha Terceira. Lisboa, Serviços Geológicos de Portugal.