Caldeira da Graciosa
Depressão vulcânica resultante de colapso do topo do vulcão que constitui a região sueste da ilha Graciosa. O vulcão, que tem um diâmetro máximo de 4,5 km ao nível do mar e se eleva até à altitude de 404 m, é o mais recente de dois edifícios do tipo central.
A caldeira da Graciosa apresenta planta elíptica, rebordo de altura variável (mais elevado a SE que a NW), com 1,5 km de eixo maior segundo a direcção NW-SE e 850 m de eixo menor. O fundo da caldeira é irregular apresenta o seu ponto mais profundo à cota de 96 m. No seu interior encontram-se dois pequenos centros eruptivos basálticos, que produziram actividade freato-magmática, e uma gruta vulcânica, a Furna do Enxofre.
O episódio de colapso que originou a caldeira está provavelmente relacionado com a actividade hidromagmática responsável pelos extensos depósitos piroclásticos freatomagmáticos que cobrem as vertentes do vulcão central da Graciosa. Aqueles depósitos estão datados de 12.200 ± 90 anos (Gaspar e Queiroz, 1995; Gaspar, 1996), pelo que essa será a idade da formação daquela estrutura.
Posteriormente ao colapso da caldeira, ocorreu um episódio vulcânico que originou um enorme lago de lava basáltica no seu interior enchendo-a até à cota de 240 m. A lava acabou por transbordar pelo ponto mais baixo do rebordo da caldeira (a noroeste), onde se localiza a Furna de Maria Encantada que não é mais que um dos tubos de lava por onde esta derramou para o exterior. As escoadas lávicas formadas por esse derrame contornam os flancos norte e oeste do vulcão central atingindo o mar na baía da Folga e na área a norte da Praia (Lagoa).
O refluxo da lava para o interior do vulcão esvaziou o lago de lava e a porção superior das condutas, dando origem à Furna do Enxofre que deve o seu nome à actividade fumarólica que ainda persiste no seu interior. Nas paredes internas da caldeira pode observar-se uma plataforma de lava basáltica que marca a altura máxima que o lago atingiu. José Madeira (2001)
Bibl. Gaspar, J. L. (1996), Ilha Graciosa (Açores): História vulcanológica e avaliação do Hazard. Tese de doutoramento, Universidade dos Açores, 361 p. [policopiado]. Gaspar, J. L. e Queiroz, G. (1995), Carta Vulcanológica dos Açores - Ilha Graciosa. Departamento de Geociências e Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores e da Câmara Municipal da Santa Cruz da Graciosa.
