Caixa Económica da Sociedade Cooperativa «Previdência Operária»

Foi constituída na cidade da Horta, em 1912, em conformidade com os estatutos da Sociedade Cooperativa Previdência Operária, após alteração do seu artigo 2.º nos termos de escritura notarial de 22 de Abril de 1911. O Decreto-lei n.º 148, autorizando a sua constituição como secção da sociedade cooperativa, datado de 22 de Junho de 1912, teve publicação no Diário do Governo de 26 do mesmo mês. A 2 de Setembro de 1912 a caixa iniciava a sua actividade.

A iniciativa, norteada pelo espírito cooperativista subjacente a um número apreciável de associações de âmbito muito diversificado que os Açores viram florescer desde meados do século anterior, revela um optimismo digno de registo por parte dos promotores, já que o contexto político e económico nacional e o recente malogro de estabelecimentos congéneres locais, não estimularia a constituição de instituições de crédito desta natureza. Paladino dos ideais do associativismo operário, conta-se entre os fundadores da sociedade e um dos seus mais dedicados obreiros, o poeta e publicista faialense Manuel Joaquim Dias. Entre os fundadores da sociedade e figura igualmente destacada na realização do projecto da caixa, conta-se o nome do prestigiado operário Victor Lemos e Silveira.

Integraram a primeira direcção da caixa José da Silva Cardoso, Manuel José Leal e Tiago Romão de Sousa sendo seu guarda-livros Ascânio Labath de Mesquita. No começo da actividade, com carácter provisório, ocuparam o escritório da Associação de Socorros Mutuos Artista Fayalense. O capital accionista no primeiro ano do exercício totalizava 2:118$750 réis, tendo os depósitos atingido 10:674$315 réis. As operações de crédito da caixa, ainda nesse mesmo ano, alcançaram o montante de 11:080$500 réis.

É significativo notar que os encargos anuais do exercício da instituição incluíam verbas destinadas a um cofre de pensões a sócios inválidos; às festas do 1º de Maio; à assistência a crianças pobres e beneficência.

Quer a fragilidade dos recursos financeiros de que a caixa podia dispor, quer a vocação inerente à própria especificidade de uma instituição desta natureza, limitavam à partida o alcance da sua acção. De facto, a instituição exercia a sua actividade sobretudo nas ilhas do Faial e do Pico, mobilizando pequenas poupanças cuja aplicação se processava em escala igualmente limitada. Decorridas quase três décadas sobre o início da sua actividade, os participantes da Conferência Económica do Distrito da Horta, realizada na cidade da Horta em 1939, interrogando-se sobre as carências da lavoura e sobre a capacidade das organizações financeiras do distrito quanto à disponibilidade de apoios àquele sector, reconheciam a existência de dificuldades financeiras que as próprias caixas locais experimentavam, referindo o facto de imobilizarem os seus recursos em operações de crédito pessoal e imobiliário.

A implantação na Horta do Banco Português do Atlântico, em 1946, resultante de uma longa crise bancária iniciada nos anos 30 e com repercussão considerável no arquipélago e, mais de duas décadas passadas, a abertura de agências do Banco Micaelense, a que se seguiram depois iniciativas de outros bancos no Faial e Pico, alteraram substancialmente as condições de mercado criando às pequenas instituições de âmbito muito restrito como a Caixa Económica da Sociedade Cooperativa «Previdência Operária», dificuldades permanentes que levam à sua gradual asfixia. O reconhecimento destas dificuldades e a necessidade de ganhar dimensão empresarial, determinou que por escritura de 14 de Dezembro de 1990 a prestimosa instituição mutualista faialense fosse incorporada na *Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo. Eram então decorridos mais de três quartos de século de actividade ininterrupta. Ricardo Madruga da Costa (Abr.2001)

Bibl. Biblioteca Pública e Arquivo da Horta. Livro de notas para actos e contractos. Notário Domingos Machado Soares (24 Maio 1907- 9 Julho 1907). Id., Ibid.. (21 Abril 1911-30 Maio 1911). Caixa Económica da Sociedade Cooperativa «Previdência Operária». Edição comemorativa das suas Bodas de Ouro (1962), Horta. Conferência Económica do Distrito da Horta (1939), Horta, Tip. Minerva Flamengos. Estatutos da Sociedade Cooperativa Previdencia Operária de Responsabilidade Limitada (1934), Horta, Of. de O Telégrafo. Maio, A. (ed.) (1999), Recordar Cem Anos. Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo. 1896-1996. Angra do Heroísmo, Ed. Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo: 37-39. Silva, S. S. (no prelo), Associativismo e filantropia no tempo de Ernesto do Canto In Actas do Colóquio Ernesto do Canto. Retratos do homem e do tempo (25-27 Out. 2000).