Cais do Pico
Povoação da freguesia e concelho de S. Roque do Pico, situada à beira-mar, no extremo ocidental da freguesia. Em 1991 aqui residiam 627 habitantes (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)
HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS O vulcão de 1572, com origem na Prainha do Norte, na sua fase efusiva de lava terá feito rebentar uma corrente na freguesia de S. Roque junto à costa, originando, mar dentro, uma língua de terra firme que passou a constituir uma protecção para as embarcações no local e que tomou o nome de Cais do Pico. Era por aqui que preferencialmente se contactava com a ilha de S. Jorge que lhe fica em frente.
Ao longo das eras o Cais do Pico representou um papel importante na ligação do lado Norte da ilha, também com o Faial, Terceira e S. Miguel. Surgiram os armadores de barcos de tráfego local e de cabotagem e o comércio e outros serviços foram marcando presença, movimento que havia de ser reforçado quando se afoitaram a caçar baleias que se derretiam na rampa do próprio porto e como escala dos navios de alto bordo da carreira entra Lisboa e os Açores. O Cais do Pico tornou-se um pólo de atracção das pessoas que queriam fixar-se na zona e o casario do aglomerado populacional foi crescendo em quantidade e qualidade.
Outro factor decisivo para a deslocação do centro operacional da vila de S. Roque no sentido do Cais do Pico foi a criação do seu convento de S. Francisco, cujo conjunto arquitectónico se edificou entre os anos de 1721 e 1726. O ensino que os frades ministravam, único disponível na época, a par de outros atributos de que eram portadores, pesou na escolha do poiso de outros moradores. Quando em 1834 foram extintas as ordens religiosas, as amplas instalações do convento ficaram desocupadas e aí progressivamente se foram acolhendo as repartições públicas, a Câmara Municipal e o Tribunal da Comarca de S. Roque com suas cadeias, as escolas, as sedes das agremiações culturais e recreativas, o salão do Teatro. Então, definitivamente, o Cais do Pico acabou por destronar a antiga capital do concelho a partir de 1542 da sua influência nos mais diversos domínios, desde o administrativo ao social.
No último quartel do século XIX sucedeu-se o aparecimento de uma série de jornais, de diverso cariz político, chegando a haver três simultaneamente e este combate de ideias também fortaleceria o interesse pelo burgo que, não sendo sequer freguesia, era mais significante que a própria vila.
Nos anos 40 do século XX, a baleação tomou notável incremento, fundiram-se todas as companhias numa sociedade intitulada Armações Baleeiras Reunidas, Lda., empresa que havia de construir uma fábrica moderna de aproveitamento quase integral dos cachalotes, que não só o óleo muito procurado para a indústria.
A maior parte dos cetáceos que se arpoavam no Grupo Central dos Açores destinavam-se às Reunidas que distribuíam compensadoras soldadas que conduziram ao alargamento da malha urbanística para implantação de espaçosas e bem lançadas vivendas.
Com o advento da autonomia multiplicaram-se os investimentos em todos os sectores de actividade, por iniciativa pública e privada, e o crescimento e desenvolvimento são bem palpáveis nos mais variados aspectos. Esteio de extrema relevância assenta no facto de na enseada natural do Cais do Pico se ter construído o porto comercial que serve toda a ilha, com vários benefícios directos e indirectos daí advenientes.
Pelo mérito da sua situação privilegiada, combatividade e empenho dos seus habitantes, o Cais do Pico cada vez mais se impõe como progressiva parcela da banda do Norte da ilha do Pico. Tomaz Duarte Jr. (Mar 2001)
Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE.
