cafuão

Um dos sistemas de armazenamento de milho mais comuns nas ilhas dos Açores, embora se apresente sob diversas formas e designações. Algumas informações são aliás contraditórias, sendo nalguns trabalhos definido como grande cafua – construção de duas águas, em forma de tenda, destinada ao apoio das actividades agrícolas (Arquitectura Popular dos Açores, 2000) –, e noutros como sistema de armazenamento de milho. É nesta acepção que Carreiro da Costa o descreve pormenorizadamente e é por ele que este trabalho se guiará. Segundo este etnógrafo o cafuão micaelense é constituído pelos espeques, os polins, que assentam sobre lajes niveladas e que são forrados a meia altura por folhas de zinco, para impedir o acesso dos ratos ao milho. Estes pés estão ligados entre si por traves, os fechais e as cabeças, formando uma base rectangular, a mesa, que é fechada ou não por soalho. Sobre os lados maiores, os fechais, assentam as pernas, que se unem nos topos e aos pares, sendo fixadas entre si por travessas, os aliveres, e ainda por duas réguas colocadas em diagonais desencontradas e na face interna, as tesoiras.

Os manchos de milho encamisado, que na ilha Terceira são chamados *cambadas, são dispostos a partir da base e de modo a evitar a penetração da água das chuvas ou seja, a favorecer o seu escorrimento.

Em geral o cafuão corresponde a esta armação de madeira de formato prismático, que E. Veiga de Oliveira ao fazer o levantamento da tecnologia agrícola tradicional do arquipélago encontra com frequência em S. Miguel, Santa Maria, Terceira e Graciosa, mais raramente no Faial e Pico, e não regista em S. Jorge e no Corvo. O mesmo autor dá conta da sua diversidade terminológica: cafugões, arribanas, cavalos, cheriques, palheiros secadouros e serras de milho em S. Miguel, e escalões e burras na Terceira e na Graciosa; e acrescenta ainda um tipo mais elementar cujo edifício tem um formato piramidal ou cónico, que na ilha Terceira é chamado burra ou pião do milho.

Sob esta diversidade, o sistema de armazenagem presente nas proximidades da casa rural açoriana foi sempre tido como um dos principais elementos de abundância na economia doméstica dos açorianos. Helena Ormonde (Mai.2001)

Bibl. Ordem dos Arquitectos (2000), Arquitectura Popular dos Açores. Lisboa, OA. Costa, F. C. (1945), O “cafuão” do milho – Etnografia Agrícola. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada, 2: 87-89. Oliveira, E. V., Pereira, B. e Galhano, F. (1987), Tecnologia Tradicional Agrícola dos Açores. Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica.