Café Internacional

Localizado na cidade da Horta, frente à Praça do Infante e da marina, está instalado nos baixos de um edifício arte “déco”, construído nos anos 20, por José Furtado Cardoso para sua residência e para os escritórios e outras dependências da representação local da companhia de navegação francesa Fabre Line. O café foi fundado por Joaquim Alves da Silva, em 1926, no espaço que então era destinado à recolha das bagagens dos passageiros. Apesar das remodelações sofridas, o Internacional ainda mantém a traça original.

Até aos anos 60, foi ponto de encontro da melhor sociedade faialense e dos quadros superiores das companhias estrangeiras de cabos submarinos que desde finais do século XIX estavam instaladas na Horta. O seu nome alude às diversas nacionalidades dos seus frequentadores. Entre essas figuras pontificava o então Governador Civil, médico António de Freitas Pimentel, que todos os dias por ali passava, pelo menos a meio da manhã, transformando o café em ponto de encontro das individualidades locais do Estado Novo. O Internacional, onde o governador ocupava sempre a mesma mesa, foi até conhecido como “a banca do Governador”.

O café foi adquirido por Manuel Guerra Amaral que manteve em funcionamento, por algum tempo, na loja da ala poente do edifício, onde tinha funcionado a recepção da Fabre Line, uma casa de chá destinada às senhoras dos frequentadores do Internacional. Depois, passou por vários donos.

O encerramento das companhias cabográficas, primeiro, e as alterações políticas decorrentes do 25 de Abril e o início das emissões de televisão, depois, terão contribuído para o fim da sua vocação para lugar de tertúlia mundana e política e do seu papel emblemático na sociedade hortense. Actualmente, é frequentado por clientes de origem social diversa. Algumas vezes tem proporcionado encontros de políticos com a comunicação social e sido local de apresentação de livros.

No Verão, no exterior, sobre calçada portuguesa, tem sido montada uma esplanada com vista para a ilha do Pico, que durante muitos anos foi única na Horta e característica deste café. Luís M. Arruda (2002)