Café do Athanásio
O mais emblemático dos cafés angrenses, foi fundado no início do século XX por Francisco Ávila Vasconcelos, já com experiência no ramo por ter tido um estabelecimento chamado Casa Havanesa, paredes meias com o novo café que agora fundava na casa de esquina da Rua da Esperança com a Rua da Sé e que tomaria o nome de seu filho e herdeiro Athanásio Ávila de Vasconcelos (1879-1963). Absorveu o Café Matezinho, vizinho de porta e com ele a vocação de tertúlia, primeiro tauromáquica, em que aquele se distinguira por o proprietário, Martins José da Rosa Júnior, ser aficcionado e cavaleiro tauromáquico amador, e depois política.
O Canto do Athanásio, nome derivado da sala de esquina das duas ruas, era o centro do mundo de pequena política e má-língua da urbe. O estabelecimento em si especializou-se em mercearias finas para fornecimento da pequena e pouco exigente sociedade angrense e, sobretudo, em doçaria regional. No final dos anos 50 estava no auge da sua expansão, ocupando todos os baixos das casas em que se instalara e passou à propriedade de um antigo empregado e gerente, José Gaspar de Lima, que o manteve até aos finais dos anos 70, transferindo-o a novo proprietário brasileiro. Diminuiu o espaço, reduziu a função, perdeu o impacto social e a função de tertúlia. Do esplendor antigo mantém, unicamente, a tradição da doçaria regional. J. G. Reis Leite (2002)
Bibl. Ilhéu, J. (1971), Da Praça às Covas. Angra do Heroísmo, ed. do autor: 295 e segs
