cactos

nome vulgar de Cacti (Cactaceae). Foram largamente usados pelos índios e alguns até cultivados. Quando Cortez conquistou o México em 1519, já se usava naquela região a Opuntia cochelinifera para reproduzir a cochinilha da qual se extraía um corante vermelho. Os insectos eram espalhados sobre este cacto, desenvolviam-se e cobriam-no completamente; eram então recolhidos, secos ao sol e postos em infusão. Eram feitas três colheitas anuais. Os espanhóis introduziram esta indústria nas Canárias, que constituía na altura uma boa fonte de rendimento; os portugueses introduziram-na na Madeira e no Brasil. Os frutos de alguns cactos são um bom alimento, e, muitas espécies produzem frutos comestíveis; cactos grandes e arredondados como o «visnaga» (Ferocactus Wislizeni), matam a sede a quem atravessa o deserto e até os animais sedentos recorrem a determinados cactos para matar a sede, a despeito dos espinhos; outra espécie conhecida por «peyote», (Lophophora Williamsii), oriunda do México e do Texas, contém uma droga poderosíssima, alucinogénea, é venerado como um semi-deus e saudado respeitosamente, como se fosse um ser humano.

Hoje, são muito usados como planta ornamentais. As suas formas variadas e tão interessantes, a rusticidade, resistência e lindas flores de algumas espécies, tornam-nos muito desejáveis. Há grande número de coleccionadores mas normalmente as colecções não são exclusivamente de cactos, mas sim de cactos e plantas suculentas. Estas encontram-se distribuídas por mais de 40 famílias botânicas, uma das quais é a Cactaceae. A distinção entre os cactos e as outras plantas suculentas nem sempre é fácil. A única característica exclusiva dos cactos são as auréolas mas, por vezes, é difícil localizá-las. A cultura e exigências são análogas, embora seja sempre conveniente conhecer as condições agro-climáticas da região de origem das plantas para se saber as suas condições óptimas de desenvolvimento. Todas armazenam água e possuem formas de protecção que lhes permitem sobreviver em condições extremamente desfavoráveis. Todas apresentam formas interessantes, por vezes até esculturais. Não é conveniente regá-las quando estiver frio ou em dias nebulosos.

No Principado de Mónaco existe um jardim de cactos e plantas suculentas que é um ponto de referência para todos os apreciadores destas plantas. Nas Canárias, na ilha de Lanzarote, foi recentemente inaugurado um jardim deste tipo que tem constituído uma boa atracção turística. Nos Açores existem muitas plantas suculentas, algumas muito bem adaptadas, e, que são tratadas na generalidade por cactos. A cultura da maioria dos cactos e plantas suculentas não é difícil neste arquipélago, desde que se disponha de uma estufa para as abrigar nos meses mais frios e de forte pluviosidade. A *bagacina, peneirada através duma rede de 0,5 cm, misturada com terra vegetal, fornece um composto adequado. Aconselha-se de preferência vasos de barro e, no fundo do vaso, materiais que permitam boa drenagem, regar e adubar nos meses quentes e reduzir drasticamente as regas e fertilizações de Novembro a Abril ou quando o tempo estiver muito húmido. Raquel Costa e Silva (Mai.2001)

Bibl. Higgins, V. (1956), The Study of Cacti. Londres, Blandford Press: 65-73. Lamb, E. B. (1978),The Illustrated Reference on Cacti & Other Succulents. Londres, Blandford Press, 1-5. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, Macmillan Press, 1: 439.