cactáceas

família dos cactos (Cactaceae). Dicotiledóneas. Ests família botânica engloba 130 géneros e 1650 espécies. São plantas suculentas, xeromórficas, perenes, geralmente terrestres, mas por vezes epífitas, com raízes superficiais, finas e ocupando vasta área; caules revestidos de cutículas espessas, suculentos, simples ou divididos, colunares, comprimidos ou globulares, são normalmente responsáveis pela reserva de água e pela fotossíntese, muitas vezes providos de espinhos, na base dos quais se encontram uma espécie de minúsculas almofadas mais ou menos circulares, as auréolas, nas quais se inserem por vezes sedas farpadas, curtas e irritantes para a pele, os gloquídios; as folhas, quando existem, são alternas e suculentas mas frequentemente muito pequenas, caducas ou não existem; as flores, geralmente solitárias, embora com excepções, em auréolas, sésseis, hermafroditas, mais ou menos simétricas, com segmentos muito numerosos, dispostos em espiral, passando de petalóides a pétalas, com ovário ínfero e estames muito numerosos são por vezes de grande beleza; a polinização é efectuada por colibris, morcegos, abelhas ou traças; os frutos são geralmente bagas, frequentemente espinhosas ou com gloquídios , mas, também podem ser secos e deíscentes, com numerosas sementes desprovidas de endosperma, perisperma presente ou ausente.

Os cactos são provenientes do continente americano, com excepção do Género Rhipsalis, que são cactos epífitos oriundos do Velho Mundo.

Encontram-se nos Açores, na Madeira e no Continente duas espécies de cactus, cultivados e por vezes fugidos da cultura.

Figueira-da-Índia ­- Opuntia ficus-indica, originária da Florida, México e da América Central, é cultivada pelos seus frutos, muito doces, e também por vezes como vedação. É um arbusto que atinge 3-5 metros de altura, com os anos forma um tronco cilíndrico, lenhoso, os caules jovens são articulados, oblongos ou oblongo-ovados, inicialmente verdes, passando posteriormente a cinzentos, não se destacando com facilidade; folhas pequenas, caducas, auréolas pequenas, esbranquiçadas, por vezes sem espinhos ou apenas 1-2, curtos, finos e esbranquiçados; flores com 7-10 cm de diâmetro, amarelas ou alaranjadas; fruto uma pseudo-baga, obovóide, acentuadamente umbelicada no ápice, amarelo ou purpúreo, comestível e muito doce. Os frutos nos Açores nem sempre amadurecem, mas, é cultivada como ornamental ou como vedação. Este cacto é seleccionado e melhorado pelos índios desde tempos tão remotos que alguns autores admitem que a espécie primitiva já não existe. No México estabelecem-se pomares desta espécie, não exige grandes cuidados, desenvolve-se em terrenos pobres, a venda dos frutos permite algum lucro e são um alimento apreciado. Na Madeira esta planta é denominada tabaibeira e os frutos são comercializados.

Muitas vezes confundida com a espécie anterior, a Opuntia tuna possui artículos oblongos, espinhos amarelos, grandes, robustos, inseridos conjuntamente com outros menores, o que torna as sebes desta planta respeitáveis e perigosas; flores amarelas ou avermelhadas; frutos semelhantes aos da figueira-da-Índia, também comestíveis e saborosos, mas menos doces.

Os artículos jovens de algumas Opuntias são usados pelas classes pobres mexicanas em saladas e como alimento do gado, depois de removida a cutícula e os espinhos. Raquel Costa e Silva (Mai.2001)

Bibl. Coutinho, A.X..P. (1913). A Flora de Portugal. Lisboa: 420. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória: 479. Higgins, V. (1956), The Study of Cacti. Londres, Brandford Press: 65-73. The New Royal Horticulture Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press, 1: 439.