Caçadores 5
Os batalhões de caçadores, no número de 6, foram criados em 1808, sendo o nº 5 recrutado em Trás-os-Montes. Combateu nas Guerras Peninsulares e com a Vila-Francada, em 1823, foi mandado seguir para os Açores, com o general Stockler, reposto como capitão-general. Embarcou a 16 de Outubro e chegou a 16 de Novembro a S. Miguel. Numa primeira fase ficaram 5 companhias em Ponta Delgada, para garantir a paz e o sossego públicos, depois dos dias agitados da primeira experiência liberal, agora abafada, e com o capitão-general seguiu a outra. Só em Julho de 1825, com o novo capitão-general, Manuel Tovar de Albuquerque, se trocaram as posições, ficando o grosso do batalhão no castelo de S. João Baptista e uma única companhia em S. Miguel, que se juntou ao restante depois do golpe de 1828.
O Caçadores 5 tornou-se famoso por ter, sob o comando do capitão de uma das companhias, José Quintino Dias, futuro barão do Monte Brasil, em 22 de Junho de 1828, reposto a ordem constitucional em Angra e ter aguentado a pressão dos miguelistas e as investidas das forças milicianas da ilha Terceira, derrotando-as no recontro do Pico Celeiro, comandados pelo coronel Silva Torres, futuro barão do Pico Celeiro. Foram de novo heróis na batalha de 11 de Agosto, na vila da Praia, na conquista das ilhas açorianas pelo conde de Vila Flor e nas campanhas da liberdade no continente.
Foi para este batalhão que D. Maria II, em 1829, bordou por suas mãos uma bandeira, que se tornou no símbolo do orgulho e patriotismo da unidade.
Pode-se afirmar que o Caçadores 5 foi a força que permitiu aos liberais manterem, primeiro na Terceira e depois nos Açores, o apoio imprescindível para invadirem o continente português e fazerem vingar o constitucionalismo. Por isso, mereceu sempre um carinho especial da monarquia constitucional, sendo honorariamente comandado pelo Rei e tornando-se nos caçadores de El-Rei. J. G. Reis Leite (2006)
Bibl. Pires, S. E G. A. (1908), Caçadores 5 de El rei. Lisboa, ed. do autor. Supico, F. M. (1995), Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, I: 30.
