Cabral, Francisco
[N. ilha de S. Miguel, c.1533 - m. Índia, 1609] Jesuíta, superior da missão do Japão (1570-1581) e provincial da Índia (1592-1597). Filho de Aires Pires Cabral e de Francisca Nunes de Proença, oriundos da Covilhã, estudou Humanidades em Lisboa e em Coimbra. Partiu para a Índia em 1550, como soldado, na armada do vice-rei D. Afonso de Noronha (1550-1554). Depois de ter participado em campanhas militares, optou pela vida religiosa e ingressou na Companhia de Jesus, na cidade de Goa, em Dezembro de 1554. Foi ordenado sacerdote passados quatro anos e cedo atingiu lugares de destaque no seio da Companhia, tendo sido reitor dos colégios de Baçaim, Goa e Cochim, na década de 1560-70. Fez profissão solene de 4 votos em 1569, já em Macau. Depois, passou ao Japão, tendo dirigido a missão do país do Sol Nascente durante 11 anos. Foi um período de crescimento rápido da cristandade nipónica que passou de uns 30.000 fiéis para cerca de 150.000, mas que foi marcado também por uma forte polémica interna, resultante da disputa que foi crescendo a propósito do modelo de acomodação cultural empreendido pela Companhia no Extremo Oriente, pelo que é muitas vezes apontado como o melhor exemplo da corrente de opinião de cariz retrógrado que interveio no debate interno sobre o modelo de intervenção missionária. Cabral era um opositor de algumas das propostas mais inovadoras. Discordava, por exemplo, do uso de trajes semelhantes aos dos bonzos, e manteve também uma posição ambígua em relação à admissão de clero nativo, pois criticou muitas vezes tal política, mas admitiu vários irmãos japoneses enquanto governou a missão. Quando Alexandre Valignano consagrou a acomodação cultural como norma dos jesuítas no Japão, Cabral entrou em ruptura com o visitador, de quem se tornou inimigo pessoal, e foi afastado do arquipélago nipónico. Foi então superior de Macau (1582-1586). Chefiou esta residência nos anos em que os religiosos da Companhia lograram iniciar a missionação no interior do Celeste Império, mas ainda assim, foi um dos raros portugueses que defendeu então a conquista militar da China por um exército ibero-asiático. Regressou depois à Índia, onde passou a estar associado ao governo da província. Nos seus últimos anos manteve uma posição extremamente crítica em relação aos métodos de Alexandre Valignano. Não existe, porém, um estudo sistemático da sua biografia e da sua correspondência que permita uma visão global e objectiva da vida e da obra deste religioso. João Paulo Costa (Fev.2002)
Bibl. Ollé, M. (2000), La invención de China. Percepciones y estrategias filipinas respecto a China durante el siglo XVI, Wiesbaden. Schütte, J. F. (1980-85) Valignanos mission principles for
