cabra
Nome vulgar das espécies de peixe marinho Aspitrigla cuculus, Trigloporus lastoviza, Trigla lyra, todos da família Triglidae, segundo Collins (1954), e Trachinotus ovatus (Carangidae), segundo Santos et al. (1997), também conhecido por prombeta (Collins, 1954), pombreta (Sampaio, 1904) ou plombeta (Santos et al., 1997). A. cuculus também é conhecida por cabrinha segundo estes últimos autores e T. lyra por peixe-cabra segundo Sampaio (1904).
Os indivíduos da espécie A. cuculus, segundo Hureau (1986), têm a cabeça grande, sem goteira occipital; primeira barbatana dorsal com 9 a 10 espinhos, segundo espinho não alongado, primeiro espinho serreado anteriormente; segunda barbatana dorsal com 17 a 18 raios moles; 16 a 17 raios na barbatana anal; peitoral com 11 + 3 raios livres; escamas da linha lateral em forma de lâmina, expandidas verticalmente; tórax e parte anterior do ventre sem escamas. Bênticos sobre o lodo, areia, cascalho, e rochas entre 30 m e 250 m, formando agregados ocasionais; alimentam-se de crustáceos bênticos, outros invertebrados e peixes do fundo. Ocorrem no Mediterrâneo, no Atlântico oriental, desde as ilhas Britânicas até à Mauritânia, na Madeira e nos Açores para onde foram registados por Hilgendorf (1888) como Trigla cuculus.
Segundo Hureau (1986), os indivíduos da espécie T. lastoviza têm a cabeça grande, triangular, óssea, com muitas saliências estreitas e compridas e espinhos, mas sem uma goteira occipital funda; primeira barbatana dorsal com 9 a 10 espinhos; bordo anterior do primeiro espinho dorsal liso; segunda barbatana dorsal e anal com 14 a 17 raios; espinho do cleithrum curto; corpo coberto com saliências de pele estreitas, transversais e curtas, com origem na linha lateral; tórax variavelmente de nu a completamente escamoso; escamas da linha lateral alargadas e querenadas, armadas com pequenos espinhos. Habita áreas rochosas ou arenosas ou lodosas próximas de rochas desde o litoral até cerca de 150 m de profundidade. Podem ser gregários próximo da superfície. Alimentam-se de pequenos crustáceos. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico Ocidental desde as ilhas Britânicas até ao Cabo da Boa Esperança, Madeira e Açores, para onde foram registados por Hilgendorf (1888) como Trigla lineata, e no Índico até à costa moçambicana.
Os indivíduos da espécie T. lyra têm a cabeça grande com muitos espinhos e saliências estreitas e compridas, mas sem uma goteira occipital funda; primeira barbatana dorsal com 8 a 10 espinhos; bordo anterior do primeiro espinho dorsal liso; segunda barbatana dorsal e anal com 15 ou 16 raios; espinho do cleithrum sobre a barbatana peitoral, muito longo e forte, atingindo para trás a parte média da barbatana peitoral; tórax sem escamas, ventre parcialmente escamoso; escamas da linha lateral pequenas e tubulares. Ocorrem em fundos rochosos, empedrados e lodosos de cerca de 10 m a 700 m, mais geralmente a cerca de 400 m (Hureau, 1986). Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico Oriental, desde as Ilhas Britânicas até Walvis Bay, na Madeira e nos Açores, para onde foram registados por Sampaio (1904).
Os indivíduos da espécie Trachinotus ovatus, têm, segundo Smith-Vaniz (1986), dentes pequenos em ambas as mandíbulas, formando uma banda estreita, anteriormente, afilando de modo progressivo, posteriormente; a barbatana dorsal com 6 + 1 espinhos e 23 a 27 raios e a barbatana anal com 2 + 1 espinhos e 22 a 25 raios; as bases das partes moles das barbatanas dorsal e anal de comprimento aproximadamente igual; linha lateral geralmente arqueada sobre as barbatanas peitorais e direita posteriormente, sem escudos. Os adultos e os jovens formam, geralmente, cardumes na zona de rebentação, ao logo das praias arenosas. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde a Escandinávia, onde são raros, até ao sul de Angola, incluindo as ilhas ao largo. Foram registados para os Açores por Hilgendorf (1888) como Lichia glauca. Luís M. Arruda (2001)
Bibl. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Hureau, J.-C. (1986), Triglidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, Unesco: 1230-1238. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Smith-Vaniz, W. F. (1986) Carangidae In Whitehead, P. J. P. et al. (eds.), Ibid.: 815-844.
