caboz-das-poças
nome vulgar da espécie de peixe marinho Parablennius sanguinolentus parvicornis (Blenniidae), segundo Santos et al. (1997). Os indivíduos desta espécie têm pequenos dentes anteriores aos caninos (Zander, 1986a), barbatana dorsal com 12 espinhos e 20 a 22 raios; barbatana anal com 1 espinhos e 21 a 23 raios (Arruda, 1979); barbatanas peitorais com 13 raios e pélvicas com 1 espinho e 3 raios (Almeida e Harmelin-Vivien, 1983); cor escura com marmoreações, segundo Zander (1979).
Segundo Almeida e Harmelin-Vivien (1983), Arruda (1979), Patzner et al., (1992) e Santos e Barreiros (1993), habitam as poças da zona das marés, expostas à luz do sol, entre seixos cobertos de algas, onde são dominantes. Os machos, durante a época de reprodução, até ao fim de Julho, estabelecem territórios e constroem ninhos em cavidades onde as fêmeas deixam os ovos ao cuidado daqueles. Os machos acasalam várias vezes durante a época de reprodução. Os ninhos têm posturas de ovos de diferentes fêmeas e em diferentes estados de desenvolvimento. Para além dos padrões de comportamento directamente relacionados com o desenvolvimento e defesa dos embriões, os machos investem uma pequena parte do seu tempo em actividades relacionadas com a corte e o acasalamento. Alimentam-se quase exclusivamente de algas verdes (Enteromorpha, Ulva, Cladophora).
O estatuto taxonómico desta espécie tem sido incerto. Zander (1979) reconhece ter a população dos Açores uma posição de ligação entre parvicornis do oeste africano e sanguinolentus. Almeida e Harmelin-Vivien (1983) e Santos (1989) consideram P. parvicornis como um sinónimo de P. sanguinolentus, possibilidade que Zander (1986a) também admite. Bath (1990), contudo, identifica a espécie como P. parvicornis. Santos (1992), numa revisão dos estudos feitos pelos vários autores, conclui que as evidências não são suficientes para considerar duas espécies separadas, apontando para uma subespécie, hipótese anteriormente posta por Arruda (1979).
Ocorrem nos Açores, na Madeira, nas Canárias e na costa africana desde o Senegal até à foz do rio Congo. Luís M. Arruda (2001)
Bibl. Almeida, A. J. e Harmelin-Vivien, M. (1983), Quelques notes sur les Blenniidés observés et capturés aux Açores en 1979 (Pisces: Blenniidae). Ibid. (3), 7, 1: 39-45.Arruda, L. M. (1979), On the study of a sample of fish captured on the tidal range at
