búzio

1 Nome vulgar atribuído à generalidade dos moluscos gastrópodes marinhos com concha espiralada. Algumas espécies são capturadas para consumo humano, surgindo esporadicamente nas lotas e mercados. As principais são Charonia lampas, Thais haemastoma e Murex trunculus, todas elas carnívoras e predadoras. Mergulhadores observam frequentemente exemplares de Charonia, o maior gastrópode açoriano, a alimentar-se de estrelas e ouriços-do-mar. As duas últimas espécies possuem adaptações que lhes permitem perfurar as conchas das presas (lapas, cracas, bivalves) de que se alimentam. José Manuel N. Azevedo (Out.1998)

2 A concha do búzio tem sido aproveitada pelas gentes dos litorais, onde aparece frequentemente, como um instrumento de sinal (de aviso ou de chamamento) ou, muito raramente, como instrumento musical. A sua abertura larga torna-o ideal para ser audível a grandes distâncias e só exige normalmente a adaptação de um bocal rudimentar (na parte estreita) para produzir sons. Tal como o repicar dos sinos ou o soar de chifres, o soar de búzios cumpre a sua função de aviso à distância, sendo acima de tudo um meio de comunicação facilmente utilizado e especialmente eficaz em terras de brumas e nevoeiros, que permitem uma ainda melhor propagação sonora do sinal emitido.

Nos Açores, pescadores, pastores, agricultores, moleiros ou pessoas escolhidas da colectividade desde sempre o usaram em tempo de paz, de instabilidade social ou mesmo de guerra. Veiga de Oliveira (1982: 29) diz-nos que serve para os pescadores em terra anunciarem baleia à vista e chamarem os baleeiros para saírem para o mar; aí, servem para avisar da aproximação das tempestades; os agricultores usam-no na guarda de hortas ou meloais; os moleiros, para avisar a freguesia dos moinhos; ao serviço da comunidade serve para tocar a reunir (foram tocados, por exemplo, nas guerras defensivas, pelos vigias do mar que acautelavam a população dos assaltos de navios piratas e, nas guerras ofensivas, contra medidas centrais opressivas, como a dos levantes do milho). Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)

Bibl. Oliveira, E. V. (1982), Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.