buxo
Nome vulgar de Buxus sempervirens (Buxaceae). Originário do Sul da Europa, Ásia Ocidental e Norte de África. Existe espontâneo em Portugal. Encontra-se nos Açores, cultivado em jardins e, por vezes, fugido da cultura.
Segundo Franco (1971), esta espécie é um microfanerófito de 2-5 (-10) m, glabro, excepto pubescência branca na parte proximal da folha, e geralmente nos rebentos quadrangulares; folhas com 15-30 x 7-15 mm, verde-escuro brilhantes na página superior e mais pálidas na inferior, ovadas, oblongas ou elípticas, geralmente emarginadas, curtamente pecioladas; inflorescências com aproximadamente 5 mm de diâmetro e bractéolas ovado-agudas; flores sésseis, anteras com 1-2 mm; cápsula com 7-8 mm, ovóide, 3-corniculada.
É cultivado há muitos séculos nos jardins da Europa. As plantas espontâneas desenvolvem-se normalmente em terrenos calcários, mas pode ser cultivado numa grande variedade de solos, contanto que se lhe proporcione uma boa drenagem. A correcção da acidez, pela aplicação de calcários dolomíticos, é muito benéfica, principalmente quando o pH é muito baixo. A aplicação de matéria orgânica acentua a cor verde e o brilho das folhas. As adubações minerais poderão ser benéficas, se forem aplicadas com cuidado, para não danificar as raízes superficiais. É necessário escolher adubos que não acidifiquem o solo. A propagação por estaca é bastante fácil, embora o enraizamento seja demorado. Deverão escolher-se lançamentos vigorosos de 12-15 cm, herbáceos, mas lenificados na base. As estacas deverão estar protegidas de ventos fortes e de sol excessivo. Necessitam de humidade permanente. As doenças e insectos não constituem geralmente problema, com excepção de um insecto sugador, Psylla buxi, que provoca a formação de pequenas galhas na extremidade dos ramos, o que não prejudica as plantas adultas mas pode afectar grandemente o desenvolvimento de plantas jovens.
Foi muito usado em sebes baixas, bordando canteiros e ladeando caminhos, como ainda vemos hoje em velhos jardins formais. É uma planta de eleição para topiária, devido à sua forma compacta, folhagem verde brilhante e longa vida. Nos últimos anos, tem vindo a desenvolver-se a protecção ao buxo, quer dos exemplares espontâneos, quer nos velhos jardins, onde ainda subsistem verdadeiras obras de arte. Também vem sendo incentivada a sua cultura em formas livres, em vasos ou em canteiros, aproveitando as múltiplas formas que as diferentes cultivares desta espécie assumem, e até têm surgido modernos trabalhos de topiária.
Tem qualidades medicinais, destrói os vermes intestinais, combate o reumatismo e a malária. O principal problema da sua aplicação consiste na dosagem, porque em excesso poderá causar vómitos, convulsões e até a morte. Todas as partes da planta são venenosas. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)
Bibl. Bradley-Hole, K. (1997), All about box. Journal of the Royal Horticultural Society/The garden. Londres, 122, 12: 854. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, I: 433.
