bruxa

Mulher que, através de fórmulas e objectos mágicos, desvenda enigmas e prediz o futuro. Para certas adivinhações serve-se de preferência da peneira ou da joeira, da clara de ovo, de certos órgãos e vísceras de animais, normalmente de aves e répteis. Dedica-se quase sempre a práticas benfazejas, mas também pode usar e aplicar o seu poder para fazer feitiços e toda a espécie de sortilégios.

Se alguém pretende saber notícias de uma pessoa, vai entre as onze e o meio-dia a casa duma bruxa, com um ovo de galinha preta, uma carta ou qualquer peça de roupa ou objecto de uso pessoal da pessoa que está ausente. Ao meio-dia, a mulher parte o ovo e deita algumas gotas da clara num copo meio de água e cobre-o com uma toalha de olhos, pondo sobre ela a peça de roupa ou o objecto pertencente a essa pessoa. Em seguida, reza o Credo em cruz e diz: “Pelo Senhor Santo António,/ Advogado das coisas perdidas,/ E São Pedro Gonçalves,/ Patrono dos navegantes/ Que sobre as águas do mar andou/ Mais Santo António/ Que pelas terras de além passou,/ O destino dos perdidos achou./ Deparai-me aqui o paradeiro/ Desta infeliz criatura:/ Se ela morreu, apareça uma cruz;/ Se está na prisão, umas grades,/ Se anda por terra, umas pedras;/ Se anda doente, uma enxerga,/ E se vai regressar brevemente, uma embarcação.” A clara do ovo forma um desenho na água que se assemelha quase sempre com qualquer daquelas configurações, indicando a sorte da pessoa. Borges Martins (Dez.1998)