Brum, António Taveira do Canto
[N. Ponta Delgada, 19.11.1885 m. Ibid., 31.1.1963] Filho de António do Canto Brum e de Genoveva das Mercês Leite Carvalhal, herdou do avô paterno, José do Canto, a paixão pelas plantas e pela horticultura ornamental. O complicado processo de partilhas que deixou os descendentes de José do Canto a braços com uma longa disputa judicial determinava que a herança transitasse directamente para os netos, após a morte do último filho, o que só viria a acontecer em 1937. A António Brum coube uma parcela significativa dessa herança, onde se incluía a exploração agrícola do Porto Formoso, a propriedade das termas da Ladeira da Velha e vários prédios rústicos e urbanos, não só em S. Miguel como na Terceira. Entre os matos de menor valia e interesse económico ficava o chamado «Mato das Criações», uns três moios e meio (49 ha) de terras de biscouto e algum pasto espontâneo para onde os cabreiros e pastores das redondezas costumavam levar o gado a pastar, entre a Fajã de Cima e os Fenais da Luz. Pela mão de António Brum essa propriedade, que passaria a chamar-se Pinhal da Paz, converteu-se em mata de recreio, casa de campo e ermida dedicada a Nossa Senhora da Paz. Nas encostas dos Picos da Cruz e Pico dos Milhafres, compostas por terrenos pobres de materiais piroclásticos, começou por fazer plantações de pinheiros que viria a utilizar na sua serração e fábrica de desfibração. As plantações estenderam-se a outras zonas exigindo um trabalho verdadeiramente hercúleo de transporte de milhares de carretos de terra vegetal usada para o plantio de espécies silvícolas, entre as quais se encontram as criptomérias, eucaliptos, acácias, alguns cedros e uma variedade grande de arbustos ornamentais como cameleiras, rododendros, eugénias e, sobretudo, azáleas. Paulatinamente, o Pinhal da Paz assumiu-se como grande parque natural da cidade de Ponta Delgada, muito visitado, em especial na Primavera durante a floração das azáleas, quando uma profusão imensa de cor cobre os cerca de 13 Km de caminhos e veredas da mata.
Em Julho de 1982, o Governo Regional dos Açores criou a Reserva de Recreio do Pinhal da Paz (Decreto Regional 12/82/A, de 7 de Julho) com o intuito de evitar a sua previsível destruição, mas um longo período de abandono e decadência só viria a ser resgatado com os trabalhos de recuperação iniciados em 1998. Isabel Soares de Albergaria (2002)
