Bruges
Da ilha Terceira - De acordo com uma carta régia de 21.3.1450, registada nos livros da câmara da Vila da Praia, o primeiro capitão da ilha Terceira foi Josse Van den Berg, ou Josse Van Brugge, conhecido em Portugal como Jácome de Bruges, tronco dos deste apelido em Portugal. Personagem de contornos ainda sob muitos aspectos indecisa, poderia ter sido ele próprio, ou um colaborador seu, de nome Ferdinand van Olm, conhecido como Fernão Dulmo, o primeiro a fundear, ao que parece acidentalmente, em águas da ilha Terceira. Estabelecido como mercador em Lisboa (terá vivido também no Porto), casou com Sancha Rodriguez dArce, dama da casa da Infanta Dona Brites, filha natural de D. João I, que veio a ser condessa de Arundel. Segundo alguns autores poderia ter utilizado uma alegada influência da mulher junto da família real para pressionar a Infanta Dona Isabel, duquesa de Borgonha pelo seu casamento, em 1430, com Filipe o Bom, para dar sequência legal e material à sua descoberta, incluindo-o - como capitão da Terceira - num ensaio de colonização dos Açores com flamengos, possivelmente patrocinado pela referida duquesa.
Efectivamente, parece constatar-se a existência de um fugaz núcleo inicial de povoadores flamengos radicados na zona das Quatro Ribeiras, sob a direcção de Jácome de Bruges que, tendo feito assento na Praia, terá dado início aos primeiros rudimentos de organização administrativa. Anos volvidos, a orientação da corte portuguesa no respeitante ao povoamento dos Açores evoluiu, iniciando-se a contestação à presença estrangeira respaldada pelos donatários. Em consequência da nova conjuntura, Jácome de Bruges terá embarcado numa caravela que se destinava à capital, com o intuito provável de procurar auxílio na Flandres. Mas a embarcação chegou a Lisboa sem o primeiro capitão da Terceira, e dele não houve mais notícias. Do seu casamento com Sancha Rodrigez dArce tinham ficado apenas duas filhas, uma freira, e outra casada com Duarte Paim, filho de Valentim Paim, fidalgo da casa do rei D. Duarte, e de Beatriz de Badilho, que se chamava Antónia Dias dArce. A despeito das diligências efectuadas por este último casal não conseguiram a sucessão da capitania. A esse litígio acudiu um Pedro Gonçalves, que a ela se habilitava alegando ser filho de um anterior casamento de Jácome de Bruges, efectuado em Orense. A pretensão foi indeferida em 17.3.1483 e o litigante não logrou fazer aceitar a filiação impetrada. De Antónia Dias dArce e Duarte Paim ficou descendência que, durante séculos, abandonou o apelido Bruges, retomado por um sétimo neto do casal no terceiro quartel do século XVIII. Este, Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara contou, entre a sua descendência, um neto, Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara Ponce de Leão, que foi figura destacada do movimento liberal e, por decreto de 8.12.1832, criado visconde de Bruges. Anos volvidos, em 28.6.1863, seria elevado a conde da Praia da Vitória, com geração actual. Manuel Lamas (Mar.2000)
