bróculos

Nome vulgar de Brassica oleracea var. Botrytis (Cruciferae). Originários da Europa Ocidental, cultivados pelo menos a partir do século XVIII. São plantas vivazes, cultivadas como anuais e, em Portugal, por vezes subespontâneas. Apresentam folhas grandes e bastante recortadas, largamente amplexicaules; inflorescências mais ou menos carnudas, com os eixos curtos e as flores frequentemente abortivas, formando às vezes massa muito volumosa que constitui a parte comestível da planta; o fruto é uma silíqua com sementes unisseriadas, globosas (Coutinho, 1913). Em Portugal ainda se consomem estes bróculos, muito rústicos e deliciosos. No entanto, os bróculos que encontramos hoje geralmente à venda são muito mais carnudos, produzem uma grande inflorescência terminal e inflorescências axilares numerosas e também carnudas, apresentam habitualmente cor verde, mas também podem ser roxos ou púrpura. Uma criação do século XX, obtidos por hibridação, são igualmente da espécie Brassica oleracea, mas do grupo Italica. Tornaram-se muito populares na Europa e Estados Unidos. A sua cultura é idêntica à da couve-flor, mas apresenta uma muito maior resistência ao frio, tolerando temperaturas de -17°C, o que os torna muito desejáveis para cultivar em climas frios ou em zonas de altitude. Não suportam temperaturas de 20°C, que conduzem à maturação prematura das flores e os tornam impróprios para consumo. Nos Açores cultivam-se facilmente durante o Inverno, mas há que escolher a cultivar adequada. Propagam-se por semente, que se lança em canteiros ou semeadeiras e posteriormente são plantados em linhas afastadas de 45cm e dentro da linha à distância de 20 cm, para plantas de vigor médio. Requerem solo fértil, ligeiramente ácido (pH 6,0-7,0), bem drenado, ao qual se fez uma aplicação de matéria orgânica bem curtida, incorporada com a lavoura, e onde não se pratica esta cultura há, pelo menos, dois anos. São susceptíveis a diversos vírus, sendo os afídeos os principais responsáveis pela sua transmissão, e também atacados por bactérias e fungos. Rotação de culturas, utilização de sementes certificadas, permanente vigilância, tratamentos feitos atempadamente e bom maneio da cultura são a melhor garantia de obter bons resultados. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)

Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), Flora de Portugal. Lisboa: 259. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992). Londres, Macmillan Press Ltd., I: 390, 394.