Brito, João Maria Xavier de
[N. Lisboa, ?- m. ?] Frequentou o Colégio dos Nobres e a Universidade de Coimbra. Assentou praça em Lisboa, sendo cadete do Regimento de Artilharia de Marinha em 20.9.1796. Promovido a alferes por decreto de 14.9.1798, foi despachado para o Regimento de Infantaria da Província do Maranhão, iniciando uma carreira nessa colónia. Sargento-mor de Infantaria de Milícias da cidade de S. Luís, por decreto de 16.5.1805, em 1806 passou para o Regimento de Cavalaria Miliciano de Piauhy, e deste voltou à tropa de 1ª linha, adido ao Estado-Maior do Exército com exercício de Ajudante de Ordens do Governo da Província do Rio Grande de S. Pedro do Sul (decreto de 11.8.1809). Por decreto de 13.5.1811 foi promovido a tenente-coronel, continuando como ajudante de ordens e por decreto de 25.7.1814, a coronel de Infantaria, com a mesma situação e ainda, por decreto de 6.2.1818, passou, com o mesmo exercício, a brigadeiro graduado. Com a promoção a brigadeiro efectivo, por decreto de 4.4.1821, terminou a sua missão no Brasil e foi despachado governador militar das ilhas do Faial e Pico.
Nos Açores, foi membro do governo interino, formado em Angra na sequência do juramento da Constituição por D. João VI, em 1822, e Governador das Armas da comarca de Angra, como oficial mais graduado, sendo mandado regressar ao Reino devido à aplicação da nova organização político-administrativa do arquipélago (decreto de 29.1.1822). Neste mesmo ano pediu o governo das Armas da Província do Maranhão, mas não lhe foi aceite o pedido, sendo antes despachado governador das ilhas de S. Tomé e Príncipe (decreto de 15.12.1823), que exerceu até 1830, quando regressou ao Reino. Passou a guerra civil no exército miguelista, tendo-se apresentado em Julho de 1833 ao exército triunfante de D. Pedro, mas desertou quando os miguelistas retomaram Santarém. Voltou a apresentar-se em 1834, sendo demitido do posto de brigadeiro pelo decreto de 17 de Novembro desse ano. Em 1836 requereu a reintegração, pretendendo aproveitar a amnistia, mas devido à segunda deserção não foi atendido.
Em 1826 jurou a Carta Constitucional e foi eleito deputado às Cortes pelas ilhas de S. Tomé e Príncipe, em 1827, mas não chegou a tomar assento, por estas terem sido dissolvidas, em 1828, ano em que embarcou para Lisboa. J. G. Reis Leite (Jul.2000)
Bibl. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 1853. Valadão, F. L. (1964), Dois capitães-generais e a 1ª Revolução Constitucional na Ilha Terceira. Lisboa, Ed. Panorama: 151 e segs.
