briqueira
Arte de pesca também chamada *barqueira na Manhenha e S. Mateus (Pico) e Santa Cruz (Faial) (Fernandes, 1984). Em S. Miguel chamam besta (Ribeiro, 1936; Silva, 1903). Segundo Fernandes (1984) é feita com uma verga, delgada, de madeira, ligeiramente abaulada sustentada horizontalmente, a meio, por um fio de nylon amarrado por um tornel a um arame que vai até à embarcação que está pescando. Do outro lado da verga o arame amarra a uma chumbada que serve de lastro. Nas extremidades da verga que tem de 1 m a 3,5 m de comprimento, amarram-se dois estrovos com comprimentos entre 0,8 m e 3,5 m.
Ribeiro (1936) descreve esta arte como construída por uma vara de madeira, delgada, com uma arça no meio, denominada pandulheira, e um peso de chumbo suspenso da arça, denominado chumbada. Em cada um dos extremos da vara há uma linha, chamada arame da parada, a que se ligam com um nó, conhecido por estrevadura, dois fios de algodão pequenos, a que dão o nome de estrovos, com os anzóis. À pandulheira é preso um arame que leva a barqueira ao fundo. Os anzóis são de fabrico industrial e de tamanhos diversos.
Segundo Silva (1903) a besta é composta por 2 marmeleiros (varas) de meio metro de comprimento, cada um de 7 mm a 8 mm de diâmetro nas partes mais grossas, por onde estão solidamente ligados. Nas pontas das varas são amarrados 4 cordéis, dois maiores (de metro) e dois menores, e uns e outros de 2 mm de espessura, aos quais são ligados 4 anzóis. Uma linha de 4 mm de espessura, com cerca de 70 cm de comprimento, com uma alça num extremo, aboça na linha de pesca, depois de ter dado uma volta de fiel no mesmo sítio em que amarram os marmeleiros, indo o outro chicote dar volta na chumbada, ordinariamente de meio quilo de peso.
Ainda segundo Fernandes (1984) existe uma variante chamada briqueira de peixões, com 2 estrovos de 0,5 m de comprimento de cada lado da verga. Num é empatado um anzol e no outro é feita uma laça onde são amarrados mais 2 estrovos. O processo é repetido até que em cada lado haja 7 ou 8 anzóis. Uma outra variante, usada na pesca da lula, tem 4 a 6 anzóis empatados em cada estrovo e é sustentada por um movimento feito com o braço de baixo para cima.
A briqueira é iscada com chicharro, caranguejo, camarão e carapau; usada, principalmente, no inverno, na faina perto da costa quando o mar não permite aos barcos afastarem-se; e pesca, desde as 4 ou 5 braças até 9 ou 10 linhas, garoupa, rocaz, peixe-porco, lula, bodião e besugo. Luís M. Arruda (Jul.1999)
Bibl. Fernandes, L. M. R. (1984), Artes de pesca artesanal nos Açores. Horta, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Ribeiro, L. S. (1936), Notas sobre a pesca e os pescadores na ilha Terceira. Açoreana, 1, 3: 147-159. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália (Porto), 1, 4: 835-846.
