briozoários
O filo Bryozoa, ou Polyzoa ou Ectoprocta, é o maior e mais comum dos filos de lofoforados, contendo aproximadamente 4000 espécies actuais. O grupo constitui um dos maiores filos animais, embora seja menos familiar que muitos outros grupos de invertebrados.
Os briozoários são pequenos animais coloniais e sésseis, tendo cada um dos indivíduos que constitui a colónia cerca de 0,5 mm de comprimento. Na maioria das espécies cada indivíduo está protegido por um invólucro que contém uma abertura para a saída do lofóforo, um órgão tentacular com funções de captura do alimento. O interior do corpo é ocupado pelo celoma e por um tracto digestivo em forma de U. Não existem orgãos especializados para as trocas gasosas, circulação ou excreção, provavelmente devido ao pequeno tamanho destes animais.
A forma mais primitiva de organização das colónias é a estolonífera, em que zoóides modificados formam um caule (stólon) onde se liga a extremidade posterior dos zoóides não modificados. Na maioria das colónias de briozoários não existe estólon, encontrando-se os zoóides mais directamente ligados uns aos outros. Muitas espécies ligeiramente calcificadas formam colónias erectas e ramificadas, semelhantes a algas. A disposição mais comum é no entanto a encrustante, em que os zoóides estão organizados numa folha presa ao substrato. Nestes casos o exosqueleto é usualmente calcário. Géneros encrustantes comuns são Membranipora, Microporella e Schizoporella. Também existem colónias foliares erectas, compostas de uma ou duas camada de zoóides.
As colónias dos briozoários de água doce são de dois tipos. Em formas como Lophopus, Cristatella e Pectinatella, os zoóides projectam-se de um lado e outro de um saco colonial, assemelhando-se aos dedos de uma luva. O outro tipo de colónias, de que são exemplos Plumatella, Fredericella e Stolella, tem uma forma de crescimento na qual os ramos, rastejantes ou erectos, são formados por uma sucessão de zoóides. Estas colónias estão fixas a vegetação, pedaços submersos de madeira, pedras e outros objectos.
As publicações relativas aos briozoários dos Açores são reduzidas e reportam-se fundamentalmente a material de duas origens: as campanhas do Príncipe Alberto do Mónaco, no início do século XX, e a campanha Biaçores, em 1971.
Os resultados das campanhas do Príncipe do Mónaco são reportados por Jullien e Calvet (1903) e Calvet (1911, 1931), que referem a presença na zona dos Açores de cerca de uma centena de espécies, encontradas desde a zona das marés até profundidades na ordem dos 1800 m. Muitas delas revelaram-se novas para a ciência e ostentam nomes que traduzem a sua naturalidade, como Aetea azorensis, Onchopora picoensis ou Scizoporella fayalensis. Jules de Guerne, naturalista a bordo do Hirondelle, efectuou recolhas zoológicas nas lagoas terrestres de diversas ilhas, tendo encontrado uma espécie de briozoário de água doce, Plumatella repens, na lagoa das Sete Cidades, em São Miguel, e no Caldeirão, na ilha do Corvo (Jullien e Calvet, 1903). A presença desta espécie nas Sete Cidades foi confirmada por Barrois (1896).
O material proveniente da campanha Biaçores foi distribuído por vários especialistas, mas nem todo foi estudado. Nos grupos estudados por DHondt (1975, 1977) foram encontradas 103 espécies, das quais 7 são espécies ou formas novas. Os briozoários da classe Cheilostomata foram estudados por Jean-Georges Harmelin, que publicou dois artigos (Harmelin, 1978; Harmelin e Aristegui, 1988) onde são descritas, respectivamente, 3 e 1 espécies novas.
Os calcários Miocénicos da ilha de Santa Maria contêm também briozoários: o trabalho de Mayer (1864) inclui 7 espécies, pertencentes aos géneros Eschara, Escharina, Cupularia e Polytrema. José Manuel N. Azevedo (Out.1998)
Bibl. Barrois, T. (1896), Recherches sur la faune des eaux douces des Açores. Mémoires de la Société des Sciences, de lAgriculture et des Arts de Lille, V Série, 6: 1-172. Calvet, L. (1911), Diagnose de quelques espéces nouvelles de Bryozoaires Cyclostomes provenant des campagnes scientifiques accomplies par S.A.S. le Prince de Monaco à bord de la Princesse-Allice (1889-1910). Bulletin de lInstitut Océanographique de Monaco, 215: 1-9. Id. (1931), Bryozoaires provenant des campagnes scientifiques du Prince Albert I de Monaco. Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I Prince Souverain de Monaco, 88. DHont, J. L., 1975. Bryozoaires Cténostomes et Cheilostomes (Cribimorphes et Escharellidae exceptés) provenant des dragages de la campagne océanographique Biaçores du Jean Charcot. Bulletin du Muséum National dHistoire Naturelle, 299 (Zoologie 209): 553-600.
