Bravo, O
(Manuel Borges Pêcego) [N. Canada da Fonte, ilha Terceira, 15.2.1876- m. Figueiras Pretas, ibid., 8.12.1945) Cantador popular. Trabalhador rural, lia e escrevia com muita facilidade. Emigrou para os Estados Unidos da América do Norte em 1893, e regressou à ilha Terceira no ano de 1922. Foi um improvisador de temperamento emotivo, por vezes sarcástico, que não tolerava a mínima piada dos seus contendores. Nos desafios, o Bravo tratava os assuntos com muita seriedade, porque, sendo ele um espírita convicto, achava que a missão do cantador era de carácter pedagógico e não destrutivo. Mas se alguém o provocava com o fim de atingir a sua crença, ele respondia com a ironia e a sagacidade que o caracterizava.
Um dia, quando entrava na Biblioteca Municipal de Angra, o funcionário fez-lhe uma quadra assim; Entra, Borges Pêcego,/ Neste templo de sabedoria,/ Olha que tu aqui não encontras/ nenhuma hipocrisia, ao que ele respondeu imediatamente: Neste templo de nobreza/ Não encontro hipocrisia:/ O que encontro de certeza/ É uma besta de estrebaria.
A Turlu, cantando com o Bravo, afirmou que a sua doutrina era falsa; que, quando morresse, iria direitinho para o Inferno. E logo o Bravo lhe replicou: Nessa não te dou a palma/ Porque foges à verdade./ Deus nunca queima uma alma,/ Porque é o pai da bondade. Borges Martins (Fev.1997)
