bravo

Canção, normalmente de temática amorosa, que pode - como é usual nas canções ou cantigas açorianas - ser bailhada, sendo então considerada um género coreográfico.

É normalmente executada por um cantador, acompanhado por dois tocadores de violas de arame e em andamento moderado ou mesmo lento.

Com o mesmo título existem, segundo Dias (1981: 135), canções na Terceira, S. Jorge, Pico e Faial, que têm melodias e letras aparentadas. São prova disso as duas versões terceirenses (provavelmente as mais conhecidas no continente) e a de S. Jorge, cujas letras - sem as repetições que a estrutura melódica exige - aqui se transcrevem:

1) “Eu fui à terra do Bravo/ Bravo meu bem/ Para ver se embravecia/ Cada vez fiquei mais manso/ Bravo meu bem/ Para a tua companhia”

2) “Bravo sou desde nascença/ Bravo meu bem/ Serei bravo até à morte/ Mulher brava quero eu/ Bravo meu bem/ Porque até isso dá sorte”

3) “Ó Bravo, três vezes Bravo/ Ó Bravo hás-de amansar/ Tudo o que é bravo se amansa/ Também te hei-de apanhar.”

A canção que foi recolhida por Artur Santos na Ilha Terceira em 1952 (Os Bravos) e incluída na Antologia Sonora: O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores (nº9) e na separata Música Popular da Ilha Terceira (nº2), consta nas suas versões instrumental e vocal, em que o famoso “Zé da Lata” é acompanhado por Laureano C. dos Reis e Virgínio de Ávila em violas de arame. Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)

Bibl. Dias, F. J. (1981), Cantigas do Povo dos Açores. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura.

 

Discografia Santos, A. (1956), O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores. Antologia Sonora: Ilha Terceira 1-18. Angra do Heroísmo, Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo. Santos, A. (1957), Música Popular da Ilha Terceira 1-2. Separata da Antologia Sonora: O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores. Angra do Heroísmo, Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.