Brasil

Da ilha Terceira - Não se encontra completamente comprovada a origem deste apelido, que parece ser terceirense. Certo é que, desde logo se espalhou a S. Jorge, Faial e Pico, e daí às demais ilhas do arquipélago, e passou ao continente onde, pelo menos, os barões de S. Roque e a família Xara-Brasil se reclamam deste tronco.

Os cronistas açorianos dão início a esta família em Pedro Luís de Sousa - o Brasil -, filho de Fernão Luís de Sousa, fidalgo de Santarém que teria aportado aos Açores numa armada em finais do século XV, fixando-se na Terceira, onde teria casado com uma D. Margarida.

Tanto quanto se conhece, não foi ainda identificada em nenhuma linhagem escalabitana conhecida um Fernão Luís de Sousa coevo, o que não significa forçosamente que as pesquisas estejam encerradas, ou a informação inicial completamente errada. Mas se a Margarida açoriana, que lhe apontam como mulher, tiver sido, como se pode admitir até melhor lição, a Margarida Leonardes casada com um Fernão Luís que alcançou, em 28.1.1514, sentença favorável num recurso respeitante ao pleito do Pico das Contendas que, desde 1472, opunha o seu pai - o povoador João Leonardes - a João Vaz Corte-Real, fica parcialmente localizado o tronco do apelido. E o Sousa viria efectivamente de Fernão Luís, uma vez que ninguém mais na descendência de João Leonardes seguiu esse apelido.

O cognome, ou apodo inicial de Brasil, rapidamente convertido em apelido nas gerações seguintes, adviria de Pedro Luís de Sousa ter sido proprietário do Monte Brasil, elevação sobranceira ao porto de Angra, por ele alegadamente vendido a João Vaz Corte-Real antes de 1496.

Não se estranhe a denominação do monte em data anterior à descoberta oficial do Brasil, uma vez que em alguma cartografia quatrocentista, e designadamente numa carta do bispo de Burgos datada de 1436, a ilha Terceira é designada como “ilha do Brasil”. Aliás, na sequência da tradição céltica em que Bracil significa “terra dos eleitos”, e que foi utilizada na primitiva cartografia medieval.

Pedro Luís de Sousa, o Brasil, casou com Catarina Anes Pires e a sua descendência mais claramente identificada fixou-se em S. Jorge, designadamente Isabel Pires de Sousa, que naquela ilha casou com André Gonçalves Teixeira, com muita geração até à actualidade, e também Inês Pires de Sousa, casada com o povoador João Valido, casal que deixou geração. Os autores açorianos fazem igualmente filho de Pedro Luís de Sousa o capitão Gaspar Nunes Brasil, fundador em 1643 da ermida de S. Miguel no Norte Grande (S. Jorge ), casado com Marta Simoa, e falecido em 1649. Todavia, a cronologia e o patronímico levam a crer que fosse antes neto. Com geração actual que usa o apelido. Manuel Lamas (Mar.2000)