braquiúros
Designação científica de todos os caranguejos que constituem no seu conjunto os crustáceos da Infraordem Brachyura. Terão tido origem no Jurássico (Warner, 1978). Actualmente, conhecem-se cerca de 4500 espécies de braquiúros (Meglitsh, 1978; Barnes, 1987) que representam o ponto máximo da evolução dos crustáceos, tanto em complexidade morfológica como em comportamento (Meglitsh, 1978; Ingle, 1980). Estes animais possuem uma grande carapaça que cobre a cabeça e o tórax que se apresentam fundidos, e delimita no seu interior uma câmara branquial onde se alojam as brânquias. Esta carapaça é tipicamente bem esclerotizada e mineralizada, mas permite uma grande mobilidade.
Os braquiúros possuem dois pares de antenas pequenas, o primeiro dos quais se pode retrair dentro de fendas existentes na parte anterior da carapaça. As peças bucais incluem para além das mandíbulas e de dois pares de maxilas, três pares de maxilípedes, que embora sejam apêndices toráxicos fazem parte do complexo bucal. Possuem ainda 5 pares de patas, o primeiro dos quais termina numa pinça robusta que é utilizada principalmente para a manipulação dos alimentos.
O abdómen é extremamente reduzido, sendo laminar e apresentando-se dobrado e rebatido sob o cefalotórax, junto da região esternal deste (no lado ventral). O abdómen apresenta dimorfismo sexual, sendo nas fêmeas muito mais largo, cobrindo grande área da região esternal e possuindo quatro pares de apêndices birramios com numerosas sedas que são utilizados para transportar os ovos até à sua eclosão, aquando da época reprodutora. O abdómen do macho tem uma forma triangular, sendo consideravelmente mais estreito do que o das fêmeas. Apenas possui 2 pares de apêndices bastante modificados que têm função copuladora.
A fecundação é, pois, interna e do ovo eclode uma larva planctónica denominada zoea e passa por um estado póslarvar denominado megalopa. Os caranguejos são, na sua maioria, animais bentónicos (que vivem junto ao substrato) desde a zona entre marés até grandes profundidades. Os que vivem na zona entre marés sobrevivem à exposição ao ar só necessitando de estar imersos durante curtos períodos de tempo durante o dia. Estas espécies são geralmente muito ágeis, movendo-se com grande rapidez sobre o calhau e entre as pedras, escondendo-se sob estas, para o que o seu corpo robusto e achatado se encontra particularmente adaptado.
Os primeiros registos de braquiúros nos Açores são os de Drouët (1861), mas desde então muitos outros autores se debruçaram sobre este grupo faunístico (Barrois, 1888a e 1888b; Milne-Edwards e Bouvier, 1894; 1899; Nobre, 1924; 1930; Chapman & Santler, 1955; Figueira, 1960; Gaudêncio e Guerra, 1977; Almaça, 1987; Paula et al. 1990; 1992; Costa, 1991).
Existem nos Açores cerca de 67 espécies de braquiúros (Costa, 1994), alguns dos quais com importante interesse comercial, por serem utilizados quer como alimento, v.g a santola (Maja squinado) e a sapateira (Cancer pagurus e Cancer bellianus), quer como isco para a pesca, como os caranguejos Pachygrapsus spp. Estes últimos e o caranguejo-fidalgo (Grapsus grapsus), que se encontra sobretudo nas costas expostas das ilhas, são por vezes confeccionados e servidos como petisco nas tabernas e arraiais populares. Ana Cristina Costa (Fev.1998)
Bibl. Almaça, C. (1987), Egg number and size of Pachygrapsus maurus (Lucas, 1864) from Praia da Laginha (Faial, Azores Islands). Investigación Pesquera, 51, Supl., 1: 157-163. Barnes, R. D. (1987), Invertebrate Zoology. 5th ed.,
