bramídeos

Nome dado aos peixes marinhos, oceânicos, epipelágicos ou mesopelágicos da família Bramidae. Segundo Haedrich (1986), os indivíduos que nela se incluem têm corpo médio a grande, muito comprimido; maxilar evidente, largo e com escamas, estendendo-se até por baixo do meio do olho, pelo menos; barbatana dorsal única e de base longa, igual ou um pouco maior do que a barbatana anal, com alguns poucos espinhos que a integram; peitorais longas e semelhantes a asa; ventrais, geralmente, com 1 espinho e 5 raios e uma escama axilar, proeminente; escamas grandes e geralmente em forma de quilha, cobrindo o corpo e a cabeça com excepção de áreas nuas sobre o focinho; coloração escura ou prateada.

Nos Açores é bem conhecida a espécie Brama brama, registada por Hilgendorf (1888) como B. raji, e vulgarmente chamada chaputa que também aparece escrito xaputa. Pelágica, vive entre a superfície e 400 m de profundidade. Distingue-se dos outros bramídeos, raros nas nossas águas, pela forma do corpo, oval e muito comprimido; de coloração cinzenta-castanha-negra, com dorsal, única, e anal, apresentando ambas um lobo anterior, elevado, constituído de raios não segmentados mas não espinhosos; e caudal muito chanfrada.

A espécie Taractichthys longipinnis, de que existe um exemplar, no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada (Arruda, 1997), e alguns outros, no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, na Horta (Santos et al., 1997), todos recentemente capturados, havia sido registada para o arquipélago por Collins (1954), como sinónimo de Taractes asper, registada por Hilgendorf (1888). Não obstante alguma confusão gerada pelo facto de Fowler (1936) não considerar T. asper uma espécie válida, opinião seguida por Collins, a ocorrência desta espécie é confirmada por Santos et al. (1997) com base num exemplar capturado próximo do Faial, em 1989.

Segundo Haedrich (1986) os indivíduos da espécie T. longipinis têm a barbatana dorsal de base escamosa, com origem sobre a extremidade da base da barbatana peitoral, dura e fortemente falciforme; barbatana anal semelhante à dorsal, com origem sob a extremidade do lobo dorsal, base medindo 4/5 do comprimento da base da dorsal; perfil dorsal da cabeça, entre os olhos, fortemente arqueado e arredondado; cabeça algo alargada, margens mais inferiores da mandíbula separadas; escamas com um espinho central forte, excepto nos indivíduos maiores, dando a ideia de linhas horizontais distintas sobre o corpo; última escama sobre o pedúnculo distintamente maior do que as escamas sobre a barbatana caudal; cor negra, mas esbranquiçado nas barbatanas pares e extremidades das barbatanas médias. Os indivíduos da espécie T. asper têm o perfil da cabeça entre os olhos côncavo; focinho parecendo algo ponteagudo; espinhos médios sobre as escamas mais proeminentes posteriormente do que anteriormente.

Santos et al. (1997) também referem a captura de dois exemplares de Pterycombus brama, a 38º 08' 20'' N, 29º 23' 45'', em Julho de 1994 e de um exemplar de Tarates rubescens, ao largo do Faial, em 1992.

De acordo com Haedrich (1986) nos indivíduos da espécie P. brama a barbatana dorsal, sem escamas, semelhante a leque e dobrando para dentro de um sulco formado por escamas alargadas, tem origem sobre a cabeça, atrás dos olhos, e os raios todos do mesmo diâmetro, aumentando, gradativamente, em comprimento, sem formar lobos na barbatana; a anal, semelhante, com origem sob a extremidade da base da barbatana peitoral e com quase o mesmo tamanho da dorsal; perfil dorsal da cabeça, entre os olhos, moderadamente redondo; cabeça comprimida moderadamente, com as margens mais inferiores das mandíbulas não contactando; escama axilar, proeminente, na base das pélvicas; escamas com espinhos persistentes pequenos; escamas sobre o pedúnculo caudal aproximando, gradativamente, em tamanho as da barbatana caudal. Corpo de cor prateada sobre um fundo negro; barbatanas dorsal e anal negras, anteriormente, tornando-se, progressivamente, quase descoradas na parte posterior; peitoral fracamente pigmentada, pélvicas e caudal escuras excepto numa área pequena sobre o bordo inferior da caudal. Os indivíduos da espécie T. rubescens têm, lateralmente, sobre o pedúnculo caudal, uma quilha proeminente e dura, formada por escamas modificadas. Luís M. Arruda (Jul.1999)

Bibl. Arruda, L. M. (1997), Checklist of the marine fishes of the Azores. Arquivos do Museu Bocage, (Nova Série), 8, 2: 13-164. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa. Bulletin of the American Museum of Natural History, 70, 1: 1-606. Haedrich, R. L. (1986), Bramidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 847-853. Hilgendorf, F. (1888), Die fische der Azoren In H. Simroth, Zur Kenntniss der Azorenfauna, Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago, Life and Marine Supplement, 1.