botídeos
Nome dado aos peixes marinhos da família Bothidae. Segundo Quéro (1984) e Nielson (1986), os indivíduos que nela se incluem têm corpo achatado com os olhos sobre o lado esquerdo; boca terminal; origem da dorsal ao nível ou antes dos olhos; linha lateral ausente sobre a face cega; margem do preopercular livre; base da barbatana pélvica do lado cego de tamanho menor relativamente àquele do lado oculado.
Nos Açores é bem conhecida a espécie Bothus podas registada por Hilgendorf (1888) como Rhomboidichthys mancus. Presentemente tem sido considerada a existência de três subespécies: B. podas podas, no Mediterrâneo; B. podas africanus, na costa ocidental africana; e B. podas maderensis, na Madeira e nas Canárias. O número de escamas na linha lateral, 88 a 91 das quais 20 a 21 formam a parte curva, tem servido para distinguir esta última subespécie. Os indivíduos açorianos, conhecidos pelo nome vulgar de solha, têm sido incluídos nela, mas a sua posição taxonómica ainda não está confirmada.
Para Collett (1896) que estudou quatro exemplares, dois machos e duas fêmeas, colhidos no Faial, durante a campanha de 1887 do Príncipe Alberto do Mónaco, o comprimento da cabeça está compreendido cerca de quatro vezes e meia no comprimento total; o comprimento do espaço interorbital varia consideravelmente, nos dois indivíduos de cada sexo, mas é maior nos machos; e a coloração é castanha-acinzentada, escura e uniforme, com manchas quase indistintas. A barbatana dorsal tem 90 a 94 raios e anal 69 ou 70 raios.
Segundo Nash et al. (1991) os exemplares observados nas vizinhanças da Horta, entre Julho de 1989 e 1990, até 20 m de profundidade, ocorriam simultaneamente em substrato rochoso e móvel; parecia atingirem a maturação sexual, pelo menos, no segundo verão de vida; e alimentavam-se, principalmente, de presas bênticas, incluindo poliquetas, moluscos, camarões, anfípodes, isópodes, equinodermes e peixes. Mais, foram observadas diferenças de dieta entre locais diversos, o que, provavelmente, é devido mais às disponibilidades das presas do que a mudanças comportamentais na alimentação destes indivíduos.
São capturados, facilmente, com artes de arrasto mas, devido ao seu tamanho pequeno, não têm interesse comercial.
No arquipélago ocorre ainda a espécie Arnoglossus rueppelli registada por Collett (1896), como Charybdia Rüppelii, se o exemplar pós-larva colhido, a sul das Flores, à superfície, durante a campanha de 1888 do Príncipe Alberto do Mónaco e estudado por aquele autor, não fôr do género Lepidorhombus, como admite.
Conforme Nielsen (1986) os indivíduos da espécie A. rueppelli têm a altura do corpo compreendida mais de três vezes no seu comprimento; olhos muito grandes, cerca de ¹/3 do comprimento da cabeça; barbatana dorsal com 110 a 118 raios; anal com 86 a 94; linha lateral com 75 escamas; coloração acastanhada com uma banda vertical, escura, na barbatana caudal. Bênticos, vivem em águas bastante profundas (200 m a 550 m). Ocorrem no Mediterrâneo e ao largo da costa noroeste africana.
A espécie Arnoglossus imperialis foi registada por Collett (1896), como A. lophotes, com base em quatro exemplares capturados no canal Faial-Pico, a 130 m de profundidade, também durante a campanha de 1888 do Príncipe do Mónaco.
De acordo com Nielsen (1986) os indivíduos desta espécie têm o focinho mais curto do que o diâmetro do olho; olhos separados por uma crista óssea, o inferior um pouco avançado relativamente ao superior; barbatana dorsal com 95 a 106 raios; anal com 74 a 82 raios; nos machos o segundo a sexto e nas fêmeas o segundo a quinto raios da barbatana dorsal espessados e prolongados; linha lateral com 51 a 66 escamas; coloração, do lado oculado, acinzentada a acastanhada com manchas mais escuras, irregulares. Vivem sobre fundos arenosos ou lodosos até 350 m de profundidade. Ocorrem no Atlântico oriental, desde a Escócia para sul, algures até Angola, e no Mediterrâneo.
Collins (1954) regista ainda a espécie Syacium micrurum, baseado em Fowler (1936) que cita Lampe (1914), como Hemirhombus? aramaca, mas a localidade Porto Grande, S. Vicente, referida por Lampe, é atribuída aos Açores, erradamente, por Fowler. Luís M. Arruda (Jul.1999)
Bibl. Collett, R. (1896), Poissons provenant des campagnes du yacht lHirondelle (1885-1888). Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 10. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of
