Botelho, Henrique
[Sécs. XVIII-XIX] Poeta. Franciscano, natural da ilha de S. Miguel, sabe-se que esteve, durante algum tempo, suspenso das ordens, pena que lhe foi imposta pelo prelado diocesano. Em 1814, partiu de Lisboa para o Brasil. Anos mais tarde, em 1820, voltava ao reino, tendo sido dos que mais se entusiasmaram com a adesão da capital à revolução do Porto, escrevendo-o em dois sonetos (Viva a religião...), que distribuiu «no memorável Setembro da feliz regeneração de Portugal» (cf. informação de Em felicitação...). Em 1821, teceu rasgados louvores ao Soberano Congresso, em mais dois sonetos, a pretexto do dia em que nele entraram os deputados micaelenses. Perfilhando as novas ideologias, o que já é visível no Hymno, realça as antigas glórias nacionais como um apelo à regeneração. Escreveu a Ode ao illustrissimo sr. coronel Antonio Francisco Afonso Chaves e Mello, nos desposorios do illustrissimo sr. Pedro Jácome Raposo Corrêa, Lisboa, 1813; o Hymno em acçaõ de graças, dadas na solemne festa dos Santos Martyres de Lisboa. Por ocasiaõ da paz geral e entrada triunfal das tropas portuguezas nesta Corte, Lisboa, s.d.; Viva a Religiaõ, viva ElRei, viva a Constituiçaõ, Lisboa, 1820, assinando tão-só B; Em felicitaçaõ, e louvor ao Soberano Congresso das Côrtes Geraes, e Nacionaes, do Reino Unido, Portugal, Brazil, e Algarves. No dia da entrada dos senhores deputados da Ilha de S. Miguel nas mesmas Cortes, Lisboa, 1821, assinando P. Henrique Botelho e reproduzindo também os dois sonetos do ano anterior. João Silva de Sousa (Dez.1998)
Bibl. Pereira, J. A. (1939), Padres Açoreanos (Bispos - Publicistas - Religiosos). Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense: 36. Silva, I. F. (1860), Diccionario Bibliographico Portuguez. Lisboa, III: 181-182, X: 7. Sousa, J. S. (1983), Botelho, Henrique, O.E.S.A. In Dicionário de História da Igreja em Portugal. Lisboa, III, 26: 118.
