Botelho

GENEALOGIA De S. Miguel – Foi tronco desta ilustre família Gonçalo Vaz Botelho, um dos mais antigos povoadores desta ilha de que ficou memória. Terá feito o seu assento em meados do século XV nas proximidades de Rabo de Peixe, onde recebeu dadas que ascendiam a quarenta e cinco moios de terra. Embora se ignore com quem terá casado, é tradição que o seu primogénito, Nuno Gonçalves Botelho, foi o primeiro homem a nascer em S. Miguel. Este foi escudeiro e viveu em Rosto de Cão, casado com Catarina Rodrigues. Fez o seu testamento em 13.10.1503 e instituiu um vínculo das terras onde se viria a edificar a ermida de Nossa Senhora da Vida e onde, muito mais tarde, se viria a construir um solar dos seus descendentes. O filho mais velho deste casal, Jorge Nunes Botelho, serviu em Tânger e Arzila em 1510 e 1511. Casou com D. Margarida Travassos Cabral e, pelo testamento do seu sogro, sabemos ter sido Fidalgo Cavaleiro da Casa Real. Em 1533 foi-lhe passada Carta de Brasão de Armas do seu apelido.

Os Botelhos de S. Miguel aliaram-se com a principal nobreza da ilha, serviram nos nobres cargos da administração e, sempre com destaque social, mantiveram a varonia no ramo chefe até Nuno Gonçalves Botelho de Arruda Coutinho e Gusmão, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real por alvará de 28.12.1842 que, por decreto de 14.2.1849, foi criado visconde do Botelho. Este primeiro visconde herdou 32 vínculos e morgadios, 16 por parte de seu pai, Manuel José Botelho de Arruda Coutinho de Gusmão, e outros tantos pela linha de sua mãe, D. Josefa Vitória Soares de Albergaria, por quem lhe chegou a chefia dos Soares de Albergaria (dos Açores) e dos Velho Cabral, primitivos capitães do donatário das ilhas de Santa Maria e S. Miguel. Pela linha paterna detinha já a representação dos Utra, capitães do donatário da ilha do Faial.

O primeiro visconde do Botelho teve, entre outros filhos, José Bento Botelho de Gusmão, 2º visconde e 1º conde do Botelho (16.9.1895), falecido solteiro e sem geração, e D. Ana Emília Soares de Albergaria Botelho de Gusmão, que casou com o representante dos Gago da Câmara, José Honorato Gago da Câmara. A um neto por linha feminina deste casal, José Honorato Gago da Câmara de Medeiros, autorizou el-Rei D. Manuel I, em 10.6.1932, o uso do título de visconde do Botelho, posteriormente confirmado por alvará do Conselho de Nobreza datado de 10.7.1948. Tanto dos vários ramos dos Botelho de Gusmão como dos Botelho Gago da Câmara de Medeiros existe geração actual. Manuel Lamas (Mar.2000)

HERÁLDICA De ouro, com quatro bandas de vermelho. Timbre: três frechas invertidas de vermelho, armadas de prata, postas em roquete e atadas de ouro. Luís Belard da Fonseca (2000)