Borralho, Miguel Pereira
[N. ?,- m. Lisboa (?), 1653 ou 1654] Quando moço passou à Índia, onde serviu com grande valor, principalmente nas armadas. Fidalgo da Casa Real e do Conselho do Rei, como paga dos seus serviços foi nomeado governador e capitão-mor do castelo de S. João Baptista, por provisão de 12.3.1645, durando o seu governo até 8.4.1651. Sucedeu assim ao primeiro governador português depois da Restauração, Manuel de Sousa Pacheco, mas sem as extensas prerrogativas daquele. Foi governador pacífico e contemporizador, como convinha a quem trazia instruções de acalmar os ânimos depois das questões levantadas com a Câmara de Angra pelo seu antecessor. Era homem perdulário e esmoler e tratava-se com grandeza excessiva, que lhe consumia todas as rendas pessoais e os soldos de 2000 cruzados anuais que recebia como governador. Quando veio para Angra, prometeram-lhe regimento sobre a jurisdição e poder do seu cargo, mas levantaram-se tantas dificuldades e embaraços que nunca o recebeu, apesar das diligências que efectuou, e por isso pediu insistentemente a sua substituição. J. G. Reis Leite (Jul.2000)
Bibl. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrense. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 286.
