Borges, Manuel José Coelho

[N. Angra do Heroísmo, 2.1.1782 – m. ibid., 26.12.1846] Assegurou a varonia da família Coelho Borges por ter falecido solteiro seu irmão primogénito, o poeta João Miguel Coelho Borges. Começou a sua carreira militar nas milícias de Angra, como alferes do regimento da cidade (1799) e capitão em 1804. Em 1806 embarcou para a Corte e daí seguiu emigrado para o Brasil, em 1808, na sequência da partida da família real e da invasão francesa. Conseguiu passar a tropa de 1ª linha com patente de capitão de infantaria e exercício de ajudante-de-ordens do Governo Geral das ilhas dos Açores (decreto de 13.5.1812). Isto certamente pela protecção do então brigadeiro Manuel Inácio Martins Pamplona, futuro conde de Subserra, sob cuja ordens, em 1806, serviu na ilha Terceira durante uma inspecção daquele militar às tropas locais, e do nomeado capitão-geral, D. Miguel António de Melo, que o escolheu para secretário do Governo Geral (1810), com quem regressou a Angra. Por decreto de 3.5.1819 foi promovido a sargento-mor e, no ano seguinte, foi encarregado de uma missão militar na ilha das Flores, para examinar os meios de repelir os piratas do sul da América espanhola que impunemente faziam aguada naquela ilha e para preparar a criação de um corpo de milícias.

Em 1818, o general Araújo informava muito negativamente acerca deste militar de «insubordinação e escandalosa altivez para com os superiores, iguais e inferiores» e admirava-se que tivesse chegado ao posto de major, passando de simples capitão de milícias a capitão de infantaria, sem ciência nem préstimo. Contudo, pode-se considerá-lo uma das muitas vítimas da prepotência deste capitão-geral, pois todos os outros o favoreceram, caindo depois nas boas graças de Stockler, de quem continuou a ser ajudante-de-ordens. Ocupou este cargo até 1822 quando, pela lei das Cortes, de 22.2, a capitania-geral foi extinta. Coelho Borges havia então sido eleito deputado às Cortes Constituintes, nas eleições realizadas em Angra em 1821, mas como substituto. No ano seguinte embarcou para Lisboa, onde chegou em Setembro, e conseguiu ficar adido do Estado-Maior do Exército na capital.

Com a «Vilafrancada», em 1823, foi restabelecida a capitania-geral e, ele próprio, reintegrado no exercício de ajudante-de-ordens no Governo-Geral das Ilhas dos Açores. Foi então membro do governo interino que aclamou D. João VI rei absoluto em Angra, nesse ano, assumindo o comando do Castelo de S. João Baptista. Quando estalou a revolta militar de 1828, que nessa cidade restabeleceu a Carta Constitucional e aclamou D. Maria II, a Junta Provisória, «decidida pelas provas que constantemente tem dado de inimizade declarada» contra a legitimidade de D. Maria II, demitiu-o e mandou-o prender, sendo libertado em 1832, por ordem da Regente. Com a legislação apaziguadora de 1841 (decreto de 24.8), foi reintegrado como major graduado em tenente-coronel, posto que já tinha em 1828. J. G. Reis Leite (Jul.2000)

Bibl. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 1519. Soares, E. C. A. (1945), Nobiliário da Ilha Terceira. Porto, Ed. Fernando Machado, I: 304.