Borges

GENEALOGIA Da ilha Terceira - Desta família passaram à ilha Terceira dois ramos. O primeiro, em meados do século XV, com João Borges, e o segundo, meio século mais tarde, na pessoa de Gregório Borges. É provável que a sua fixação nos Açores tenha estado ligada à perseguição que se abateu sobre os partidários do Infante D. Pedro, duque de Coimbra, na sequência da derrota e morte deste na batalha de Alfarrobeira, ocorrida em 1449, tanto mais que João Borges é referido por alguns como fidalgo da casa desse Infante.

A ligação de Gregório Borges à casa do duque de Coimbra parece repousar em bases mais evidentes porquanto se conhece que um seu muito provável tio, Garcia Borges, foi comprovadamente cavaleiro dessa casa. João Borges, que pela geração a que pertencia, poderia efectivamente ter participado na batalha, não aparece referenciado como combatente em Alfarrobeira, ao contrário do que sucede, por exemplo, com Rui Borges de Sousa, alcaide-mor de Santarém, Duarte Borges, senhor de Gestaço, Rui Borges, senhor de Carvalhais e Verdemilho, Álvaro Borges e Gomes Borges.

João Borges casou, já na Terceira, com Isabel Abarca, filha de D. Pedro Abarca, fidalgo de Tui. Desse matrimónio ficou um filho e três filhas. O primeiro, Pedro Borges Abarca, casou em Lisboa com geração que não parece ter regressado aos Açores. Das três filhas do casal, a primogénita, Catarina Borges Abarca, casou com Afonso Anes da Costa, natural de Tavira, pagem do Infante D. Henrique que foi armado cavaleiro por D. Francisco de Castro em Santa Cruz do Cabo Gué, originando os Borges da Costa. Estes, no século XVIII, viriam a cindir-se no ramo dos Coelho Borges através do casamento de D. Antónia Francisca Luísa Borges com António Coelho da Costa. A secundogénita, Guiomar Borges, casou com António da Silveira, “o Velho”, donde provêem os Borges da Silveira. Finalmente a mais nova, Mécia Borges Abarca, casou com António Pamplona de Miranda. De todos estes ramos, e ainda de outros, como os Borges do Canto, existe ainda, directa ou indirectamente, geração actual.

Gregório Borges, natural de Guimarães, teve Carta de Brasão de Armas em 1536, onde se refere que ele era filho de Pedro Borges e neto de Lopo Borges que, até prova em contrário, se julga pertencer aos Borges da Terra da Feira referidos por Alão de Moraes. Casou duas vezes e, do segundo matrimónio, com Beatriz Homem Valadão, filha de João Alvares Homem e de Isabel Valadão, teve três filhos e quatro filhas. Pelo menos do filho segundo, Álvaro Borges Homem, ficou geração que, a partir da Praia, se disseminou pelo Porto Judeu, Ribeirinha e freguesias circunvizinhas na ilha Terceira, com geração actual.

De S. Miguel – António Borges, a quem Frutuoso acrescenta o apelido Sousa, precisando que descendia dos Borges de Bragança, foi feitor da Fazenda em S. Miguel, e juiz da Alfândega na ilha Terceira de 1520 até 1552 , data em que recebeu o hábito da Ordem de Cristo com 20.000 reais de tença. Existiu efectivamente um ramo Borges de Sousa, alcaides- mores de Bragança, que deriva de Pêro Borges de Sousa, mas na sua descendência não encontrámos este António o que, por si só, não invalida a referência de Frutuoso. E, a aceitar a origem bragantina, parece um pouco difícil identificá-lo, como fazem alguns genealogistas micaelenses, com um António Borges, natural de Lisboa , filho de Duarte Borges e neto de Lopo Borges que, em 13.4.1535, recebeu Carta de Brasão de Armas. Para complicar um pouco mais as coisas, o pe. Maldonado, na sua Fénix Angrense, dá-lhe como pai um outro Pedro Borges que teria residido já em Vila Franca na ilha de São Miguel, enquanto o título de respeitante aos marqueses da Praia e Monforte do Anuário da Nobreza de Portugal refere que António Borges de Sousa foi o primeiro do apelido a passar aos Açores (sic) e teve Carta de Brasão de Armas em 23.10.1550, o que não conseguimos confirmar.

Seja como for, o feitor da Fazenda de S. Miguel António Borges (de Sousa) e sua mulher Isabel Barbosa tiveram descendência através do seu primogénito, Duarte Borges Gamboa, fidalgo cavaleiro da Casa Real com 2.000 reais de tença em 1588, e cavaleiro da Ordem de Cristo, que desempenhou funções como provedor da Fazenda e Armadas em Angra a partir de 1571, e casou duas vezes. com geração do primeiro matrimónio. Também a filha mais velha, Guiomar Borges, que casara contra a vontade dos pais com Baltazar Rebelo, Lealdador-mór dos Pasteis e instituidor de um grande vínculo em 1586, deixou larga descendência de entre a qual se destaca António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa que, por decreto de 21.1.1890, foi criado Marquês da Praia e de Monforte, com geração.

Dos restantes filhos de António Borges de Sousa e Isabel Barbosa, Pedro e Jerónimo Borges faleceram na Índia, sem geração conhecida, e Clara Borges, que tivera por primeiro marido Vasco da Fonseca Coutinho, casou duas vezes mais no continente. Manuel Lamas (Mar.2000)

HERÁLDICA De vermelho, com um leão de ouro, armado e lampassado de azul; bordadura cosida de azul, semeada de flores-de-lis de ouro. Timbre: o leão do escudo. Luís Belard da Fonseca (2000)

Bibl. Anuário da Nobreza de Portugal (1985), Lisboa, I. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira.