bonito
MIGRAÇÕES O bonito, Katsuwonus pelamis (Scombridae), é um peixe tropical que apresenta um comportamento reprodutor oportunista; parece procurar permanentemente áreas ricas em alimento e, se estas áreas são suficientemente produtivas e de temperaturas favoráveis, passam a constituir igualmente áreas de postura (Bard et al. 1993). Deste modo é difícil distinguir, para esta espécie, entre migrações tróficas e genéticas. O conhecimento actual das migrações do bonito confina-se à zona do Golfo da Guiné e águas adjacentes, onde estão identificadas duas áreas de postura (Cayré et al. 1993): uma equatorial, que se estende do Golfo da Guiné (Cabo Lopez) à zona da Libéria, com postura entre Outubro e Abril, e outra subtropical, que compreende a área do Arquipélago de Cabo Verde, ocorrendo a postura durante a estação quente (Julho a Setembro). Segundo Bard et al. (1993), o bonito com comprimento entre 40-50 cm migra entre o 2° e o 4° trimestre, movimentando-se do Golfo da Guiné na direcção oeste, alcançando a área ao largo da Libéria entre Outubro e Abril, época em que se observa nesta zona uma actividade reprodutora importante, com níveis de postura máximos entre Novembro e Março. Em Abril (após a época de reprodução) os bonitos que se encontram ao longo da costa da Libéria podem tomar dois rumos: i) uma parte migra para norte, alcançando em Julho e Agosto as águas do Senegal, do Arquipélago de Cabo Verde, das Ilhas Canárias e dos Açores, deslocando-se gradualmente para sul, em Setembro, até à Libéria; ii) outra parte regressa ao Golfo da Guiné, concentrando-se sobretudo na zona do Cabo Lopez e voltando igualmente à área da Libéria no ano seguinte.
É ainda possível que uma parte dos bonitos se mantenha no Golfo da Guiné ou migre no sentido sul-este, atingindo a costa de Angola e podendo, mais tarde, deslocar-se ao longo da costa africana para se juntar à migração no sentido oeste ou simplesmente permanecer no interior do Golfo, onde se pode reproduzir.
O bonito apresenta uma tendência precoce para migrar em direcção ao Atlântico central, mais marcada nos indivíduos com comprimento superior a 60 cm. Desconhece-se, no entanto, a rota seguida por estes bonitos de maiores dimensões. Manuela Azevedo (2006)
Bibl. Bard, F. X., Cayré, P. e Diouf, T. (1993), Migrations In Fonteneau, A. e Marcille, J. (eds.) Resources, fishing and biology of the tropical tunas of the eastern central Atlantic. FAO Fisheries Technical Paper, 292: 105-145. Cayré, P., Amon-Kothias, J. B., Diouf, T. e Stretta, J. M. (1993), Biology of tuna, ibid.: 147-242.
