bonina

Nome vulgar de Calendula officinalis (Compositae). Calendula provém do latim calendae, o primeiro dia do mês em que eram pagos os juros, forma poética de referir o longo período de floração desta planta, que será o pagamento pelos poucos cuidados que exige. É originária da região mediterrânica e da Macaronésia. Existe em todas as ilhas dos Açores, excepto no Corvo. É largamente cultivada nos Estados Unidos e no Japão.

Planta anual ou vivaz, subarrosetada. Caules muito ramificados que podem atingir os 70 cm, erectos, difusos ou prostrados, geralmente folhosos até ao ápice. Folhas de dimensões e forma variáveis, podendo atingir 17x6 cm oblanceoladas a espatuladas, geralmente subinteiras, glandulares e pubescentes. Flores dispostas em capítulos com 4 a 7 cm de diâmetro, lígulas com 2 cm, amarelas ou alaranjadas, flores do disco mais ou menos da mesma cor das lígulas, por vezes acastanhadas. Os frutos são cipselas com 2-2,5 cm, incurvadas, alternando com outras menores.

Nos Açores obtêm-se os melhores resultados com a sementeira no início do Outono, em lugar definitivo. Quando as jovens plantinhas apresentam 3 folhas, faz-se o desbaste, deixando-as espaçadas de 20 a 30 cm. Se tudo correr bem, pelas festas do Divino Espírito Santo estarão floridas e a floração poderá estender-se por todo o Verão, se houver o cuidado de eliminar as flores velhas e de as regar. É uma planta de fácil cultura, mas exige terreno bem mobilizado e com boa drenagem.

É uma flor muito decorativa e de boa duração. Adapta-se bem em bordaduras, em floreiras e pode ser usada como flor de corte. As pétalas em saladas têm um paladar ligeiramente amargo, agradável, e em sopas ou arroz podem substituir o açafrão, porque imprime aos alimentos uma cor muito idêntica. Tem qualidades medicinais e foi usada no tratamento do sarampo e das doenças de pele. As tisanas combatem as inflamações de estômago e da boca.

São as flores tradicionalmente escolhidas para enfeitar os bezerros nas festas do Divino Espírito Santo, nos Açores, embora actualmente muitas vezes sejam substituídas por flores de papel da sua cor. São sempre recordadas nos versos do pézinho, canção popular cantada naquelas festividades: «E os bezerros enfeitados/ Com boninas amarelas/ Chamam os moços ao terreiro/ E as meninas às janelas». Raquel Costa e Silva (Dez.1999)

Bibl. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, II: 432. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 352. The Royal Horticultural Society A-Z Encyclopedia of Garden Plants (1996), Londres: I: 204. The Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres: I: 462.