bombeiros voluntários

Nos Açores, as associações de bombeiros são organismos humanitários independentes, apartidários, não confessionais e com estatutos próprios, que vivem á base do voluntariado, e seguiram um processo idêntico de formação e desenvolvimento semelhante ao resto do país. Mas à medida que se foram ampliando as suas atribuições houve necessidade de recrutar elementos permanentes para acudir mais eficazmente às emergências. Estas associações viveram, e vivem, sempre com enormes dificuldades logísticas. Para além das cotizações dos sócios, de donativos particulares e subsídios oficiais, tiveram de recorrer a outras modalidades de angariação de fundos para a aquisição dos meios necessários à sua intervenção. Neste arquipélago, tal como noutras regiões, o combate aos incêndios era feito pela população que acorria aos locais do sinistro de forma anárquica e desprovida de meios. Até ao século XIX, existiam apenas nas cidades algumas bombas e alguns baldes de lona. Só na segunda metade daquele século, as Câmaras Municipais começaram a tomar medidas para a criação de corpos de bombeiros municipais, mas o processo foi muito lento. A falta de verbas impediu a aquisição de material moderno e de instalações adequadas para guardá-lo e operacionalizar o serviço. Graças a muitos esforços individuais e altruístas, nasceram as primeiras corporações que pressionaram os poderes públicos a olhar os serviços de bombeiros como de primeira necessidade. Desde a criação da primeira associação de bombeiros voluntários, a da Ribeira Grande em 1879, até ao presente, a história dos bombeiros tem sido de sacrifício e abnegação. Depois da I Guerra Mundial, foi perceptível uma melhoria nos serviços das corporações existentes, mas o grande salto qualitativo registou-se a partir dos anos 80, com a inclusão das corporações na então Secretaria Regional da Administração Pública (Dec. Regional 1/76), estando no presente integrados na Secretaria Regional que coordena os Serviços de Saúde e Segurança Social. O decreto regulamentar nº 9/84/A, de 6 de Fevereiro, criou o Serviço Regional de Bombeiros, cuja orgânica foi aperfeiçoada em legislação posterior, enquadrando-os no Serviço Regional de Protecção Civil dos Açores. A intervenção do Governo Regional possibilitou a criação de associações de bombeiros em todas as ilhas, a aquisição de material e a construção de quartéis. Ao presente existem 17 associações, com algumas secções dependentes, que movimentam mais de 800 elementos, dos quais cerca de 150 são remunerados pelo serviço regional de saúde. Estas associações constituíram a Federação dos Bombeiros dos Açores, cujo conselho regional reúne com frequência para tratar de assuntos específicos tais como seguros, complemento de reforma, etc. No presente estão acometidos vários tipos de funções aos bombeiros: combate a incêndios, busca e salvamento de pessoas, bens e animais em terra e no mar, abastecimento de água às populações, serviços de prevenção nas casas de espectáculos, transporte terrestre de doentes e intervenção em todas as situações de calamidade pública. O enquadramento destas missões é feito através do Serviço Regional de Protecção Civil que se encarrega da formação contínua do pessoal. Para além destas actividades, as associações de bombeiros desenvolvem também outras de carácter sócio-cultural e recreativo. Carlos Enes (Jul.1999)