bolha de gás
As paredes e o tecto da maioria dos túneis lávicos apresentam-se revestidos por uma película de lava, de superfície muito lisa e cor, em geral, negra esmaltada, onde se formam diversas microestroturas, como estrias, estalactites, e bolhas de gás.
Quando, localmente, há uma acumulação, sob esta película de lava, de gases dissolvidos no seio da escoada, e a pressão exercida por estes gases é suficiente para provocar o rompimento da película de lava, ocorre nesse local uma pequena explosão, formando-se as designadas bolhas de gás.
Estas microestruturas, deprimidas em relação às zonas envolventes, apresentam uma forma arredondada ou elíptica e localizam-se, em geral, na parte superior das paredes da gruta. Dado serem de origem explosiva e estarem associadas à projecção de pequeníssimos sectores, ainda plásticos, da parede da gruta, as bolhas de gás apresentam evidências morfológicas deste rompimento e, no seu interior, a lava apresenta-se rugosa e áspera. Contrasta, assim, com a superfície lisa da película de lava que forma as zonas envolventes.
Na Gruta do Carvão, ilha de S. Miguel, podem observar-se inúmeras microestruturas deste tipo, ao longo do seu traçado, algumas das quais chegam a atingir dimensões na ordem de 30 a 40 centímetros de comprimento. João Carlos Nunes (Abr.1998)
Bibl. Constância, J. P., Nunes, J. C. e Braga, T. (1994), Património Espeleológico da Ilha de S. Miguel. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Nunes, J. C., Braga, T. e Constância, J. P. (1997), Proposta de Classificação da Gruta do Carvão como Monumento Natural Regional. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Ollier, C. D. e Brown, M. C. (1965), Lava caves of Victoria. Bulletin Vulcanologique, 28: 215-229.
